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Artigos :: O controle biológico de pragas na agricultura

Publicado em 10/11/2007 na seção artigos :: Outros formatos: Texto e PDF

Na natureza, toda espécie de planta ou de animal possui algum organismo que dela se alimenta em algum estágio de seu desenvolvimento. Esses organismos são chamados de inimigos naturais, os quais são agentes de controle populacional. Esse fenômeno é conhecido como controle biológico e ocorre naturalmente nos ecossistemas.

Créditos: Divulgação Embrapa
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Os inimigos naturais já eram conhecidos desde o século III a.C., quando os chineses utilizavam formigas predadoras para controle de pragas em citros. No entanto, o primeiro caso de sucesso em controle biológico foi a introdução, em 1888, na Califórnia (USA), de uma joaninha vinda da Austrália, para controlar uma praga conhecida como pulgão-branco-dos-citros. Após 2 anos da liberação dos insetos predadores a praga estava controlada. Houve então um grande avanço nos estudos de controle biológico. Contudo, a partir de 1939, com a síntese do inseticida clorado DDT e dos pesticidas organofosforados, as pesquisas com os inseticidas químicos sintéticos e a sua utilização cresceram grandemente, e o inverso ocorreu com o controle biológico.

Com o uso indiscriminado desses produtos químicos, logo começaram a aparecer problemas relacionados à resistência de pragas aos inseticidas; destruição de inimigos naturais, com ressurgência de pragas e aparecimento de outras pragas até então de importância secundária; intoxicação de homens e animais e poluição do meio ambiente.

Posteriormente, a comunidade científica retornou aos estudos sobre o controle biológico como alternativa aos inseticidas químicos, agora como uma das principais táticas dentro de um novo conceito conhecido como Manejo Integrado de Pragas (MIP). Esse sistema procura integrar harmoniosamente diversas formas de controle, com ênfase para o controle biológico, visando a melhorias econômicas, sociais e ambientais.

O controle biológico de insetos e ácaros na agricultura pode ser realizado por pequenas vespas ou moscas conhecidas como parasitóides que parasitam ovos, pequenas lagartas e até adultos. Também pode se dar por meio de predadores como as joaninhas, percevejos, ácaros predadores e as aranhas, além do parasitismo por microorganismos a exemplo de fungos, bactérias e vírus, denominados entomopatógenos.

Existem três tipos de controle biológico: clássico, natural e aplicado. No controle biológico clássico há a introdução (importação) de um inimigo natural de outro país e a liberação do mesmo em pequena escala para controle de uma praga, geralmente exótica. É um controle de longo prazo, aplicado principalmente em culturas semiperenes e perenes.

O controle biológico natural se baseia na atuação dos inimigos que ocorrem naturalmente. Para que seja mais efetivo é necessário realizar ações para conservar e até aumentar a população dos inimigos naturais, como evitar práticas culturais inadequadas, usar inseticidas mais seletivos aos inimigos naturais, utilizar inseticidas químicos somente quando necessário e na época correta e propiciar fontes suplementares de alimentação para os inimigos naturais.

No controle biológico aplicado existe a liberação de inimigos naturais ou de um produto biológico no agroecossistema de forma inundativa, visando reduzir a população da praga rapidamente. O inimigo natural funciona como um inseticida, pois tem ação rápida, com a vantagem de ser biológico. Para que haja a liberação desses organismos em larga escala, é necessário multiplicá-los em grande quantidade em laboratório.

No Brasil existem vários casos de sucesso usando o controle biológico de pragas, tais como a utilização de vírus para controle da lagarta-da-soja e do mandarová-da-mandioca; fungos em cigarrinhas-das-pastagens, cigarrinha-da-cana, percevejo-de-renda-da-seringueira, cupins, lagartas; bactérias para lagartas; vespinhas para broca-da-cana, pulgões-do-trigo, percevejos-da-soja, traça-do-tomateiro, minador-dos-citros, cochonilha-da-mandioca; nematóide no controle da vespa-da-madeira em pinus, predadores para controle de lagartas desfolhadoras em florestas plantadas.

A Embrapa Acre trabalha para identificar os principais inimigos naturais de pragas em sistemas agrícolas, florestais e agroflorestais no estado e determinar seu potencial para realizar o controle biológico. Definir estratégias para preservar e aumentar a população desses organismos, utilizar o controle biológico aplicado, esclarecer técnicos e produtores sobre a importância do controle biológico, do Manejo Integrado de Pragas, da agroecologia e das técnicas alternativas de controle de pragas, além do uso correto de agrotóxicos são algumas ações da Empresa.

No Estado do Acre e em grande parte da Região Amazônica, diversas pragas atacam as principais culturas agrícolas, como o mandarová-da-mandioca, moleque-da-bananeira, broca-dos-frutos-do-cupuaçu, vaquinha-do-feijoeiro, percevejo-do-arroz, broca-do-abacaxi, cigarrinhas-das-pastagens, ácaros e cochonilhas em citros, moscas-das-frutas e moscas-brancas. O uso indiscriminado de inseticidas e acaricidas sintéticos para o controle dessas pragas pode ocasionar vários problemas como os já citados anteriormente. Muitas dessas pragas possuem diversos inimigos naturais que devem ser conhecidos, preservados e sua população aumentada, visando reduzir a incidência das pragas, preservar o meio ambiente e a saúde humana.

AUTORIA

Marcílio José Thomazini
Eng. agrôn., D.Sc., Embrapa Acre
Caixa Postal 321 - CEP 69908-970 - Rio Branco/AC
E-mail: marcilio@cpafac.embrapa.br

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