

Terra preta de índio é destaque da revista Unesp Ciência de julho: Capa da revista Unesp Ciências
Créditos: Ascom UnespA terra preta arqueológica ou terra preta de índio é um tipo de solo escuro e muito fértil encontrado em alguns lugares da Amazônia - onde, de forma geral, predomina a baixa fertilidade. Acredita-se que ele seja resultado da ação humana, uma herança dos povos indígenas pré-colombianos. Entre os arqueólogos prevalece a hipótese antrópica, segundo a qual a terra preta teria sido formada partir do material orgânico descartado pelos índios no seu dia a dia. Agora, porém, um grupo de cientistas do solo, entre os quais estão agrônomos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Jaboticabal, está reunindo evidências que colocam em xeque essa visão.
A reportagem de revista
Unesp Ciência acompanhou esses pesquisadores em uma viagem ao sul do Amazonas. Baseados nos dados ali coletados, eles defendem a ideia de que causas naturais teriam dado origem à terra preta. Segundo eles, o carvão vegetal -- oriundo da queima da vegetação por incêndios espontâneos ocorridos ao longo de séculos -- é o elemento chave para formação deste tipo de solo. Os fragmentos de cerâmica frequentemente associados à terra preta seriam, na visão dos agrônomos, indícios de que os indígenas pré-colombianos teriam buscado esses lugares para estabelecer seus povoamentos, diferentemente do que argumentam os arqueólogos.
Mas em um ponto os dois lados concordam: uma vez revelado, o segredo da terra preta pode ser a chave para a segurança alimentar do planeta. Se os pesquisadores conseguirem produzir solos artificialmente enriquecidos usando como matéria-prima o carvão vegetal, será possível a um só tempo turbinar a produtividade agrícola e reduzir o impacto ambiental causado pelo uso indiscriminado de fertilizantes. É isso o que eles já estão tentando fazer.
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