

Poupança muda para garantir queda dos juros e crescimento sustentável: Guido Mantega, ministro da Fazenda
Créditos: Agência BrasilA mudança na remuneração da poupança foi necessária para adequar o Brasil a uma nova realidade econômica e ajudará na manutenção do crescimento sustentável, disse ontem (03/05/12) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com ele, a regra atual criaria um obstáculo para o Banco Central (BC) continuar a redução das taxas básicas de juros. "Para que possamos baixar juros para o crédito, temos de destravar sistema fazendo a modificação da poupança. Precisamos retirar esse limitador da queda das taxas", disse o ministro, ao anunciar as novas regras para o rendimento da caderneta.
Segundo o ministro, ao permitir a manutenção do ciclo de queda da
Selic (juros básicos da economia), a alteração cria condições para a continuidade do crescimento sustentável do país. "Estamos em melhores condições que as economias europeias e norte-americana. Para dar continuidade ao crescimento sustentável, precisamos fazer reformas que reduzam o custo financeiro e barateiem o crédito", declarou.
O critério atual de remuneração da poupança -- de 6,17% ao ano mais variação da Taxa Referencial (TR) -- vai ser substituído pela variação da TR mais 70% da
Selic, quando a taxa básica de juros chegar a 8,5% ao ano ou menos. Atualmente, a
Selic está fixada em 9% ao ano.
A alteração valerá apenas para os depósitos feitos a partir da edição da medida provisória. Assim, quem tem uma caderneta de poupança terá o saldo corrigido de duas formas: pelo rendimento tradicional, para o dinheiro guardado até hoje e pela nova regra, para os futuros depósitos.
A mudança na remuneração da poupança vai permitir que o governo continue a baixar os juros sem que os grandes investidores se sintam estimulados a migrar para a poupança e deixem de comprar títulos públicos. Também ampliará o alcance da política monetária, à medida em que os aplicadores se sintam estimulados a guardar dinheiro na poupança quando o
Banco Central aumentar os juros básicos e a gastar recursos da caderneta em momentos de queda da
Selic.
A dívida pública é um mecanismo essencial na administração das contas do governo. Por meio da emissão de títulos públicos, o governo pega recursos emprestados de investidores para honrar compromissos de curto prazo. Em troca, o
Tesouro Nacional compromete-se a devolver o dinheiro, acrescido de alguma correção, que pode ser definida com antecedência (no caso dos títulos prefixados) ou seguir a
Selic, a inflação ou o câmbio.
Novas regras da poupança vão estimular concorrência entre os bancos
Ao permitir a continuidade da queda das taxas de juros, as mudanças na remuneração da poupança estimularão a concorrência entre as instituições financeiras, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ao explicar a nova fórmula de cálculo do rendimento, ele declarou que os fundos de investimento terão de reduzir a taxa de administração para manter os clientes.
Segundo estimativas apresentadas pelo ministro, em um cenário em que a taxa básica de juros (Selic) estiver em 8% ao ano, a poupança renderá 5,6% ao ano e um fundo de investimento com taxa de administração de 0,5% do valor investido pagará 5,7% no mesmo período. Caso a taxa de administração seja maior, no entanto, os fundos renderão menos que a poupança. A simulação leva em conta um fundo que paga 100% da variação da
Selic e paga Imposto de Renda.
"Os fundos terão de reduzir a taxa de administração para manter os clientes caso os juros básicos continuem a cair", avalia o ministro. Segundo ele, quando o
Banco Central reduziu a
Selic para 8,75% ao ano, em meados de 2010, os bancos tiveram de se adaptar à concorrência.
Para o ministro, a mudança na caderneta também estimulará a redução do custo do crédito em geral. "Minha expectativa é que os bancos, ao captarem poupança a um custo menor, poderão liberar empréstimos também a custos menores. Os bancos querem atrair clientes e, para isso, precisam reduzir o custo financeiro. Essa queda de parte [da remuneração] da poupança vai propiciar recursos para os bancos emprestarem a juros menores".
A mudança na remuneração da poupança vai permitir que o governo continue a baixar os juros sem que os grandes investidores se sintam estimulados a migrar para a poupança e deixem de comprar títulos públicos. Também ampliará o alcance da política monetária, à medida que os aplicadores se sentirão estimulados a guardar dinheiro na poupança quando o BC aumenta os juros básicos e a gastar recursos da caderneta em momentos de queda da
Selic.
Poupadores atuais não perderão vantagem com nova remuneração da caderneta
O correntista que aplicou na poupança até ontem (03/05/12) não será afetado pelas novas regras de remuneração da caderneta. A alteração valerá apenas para os depósitos feitos e para as contas abertas a partir de amanhã (4). Ao explicar o novo cálculo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que os demais direitos dos aplicadores, como isenção de Imposto de Renda, possibilidade de resgate a qualquer momento e garantia dos depósitos até R$ 70 mil, em caso de quebra do banco, foram mantidos.
"Não há rompimento de contratos, usurpação de direitos, não há portanto nenhum prejuízo para os atuais detentores de cadernetas. As poupanças continuarão com versatilidade e facilidade que têm hoje", declarou o ministro. Segundo ele, os atuais correntistas podem se considerar premiados porque continuarão com uma aplicação rendendo conforme a remuneração antiga.
FONTE
Agência Brasil
Luana Lourenço e Wellton Máximo - Repórteres
José Romildo, Rivadavia Severo e Aécio Amado - Edição
Links referenciados
Tesouro Nacionalwww.tesouro.fazenda.gov.br
Agência Brasilwww.agenciabrasil.gov.br
Banco Centralwww.bcb.gov.br
Selicwww.bcb.gov.br/?SPBSELIC
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