No dia 3 de setembro de 2011, chegou à capital do Mato Grosso, Cuiabá, uma comitiva de engenheiros, geólogos e economistas da China National Machinery Corporation (CMC). Eles vêm para levantar informações visando a construir uma nova ferrovia entre Cuiabá e Santarém, no Pará. A obra, uma continuação da Ferronorte, tem valor estimado em R$ 10 bilhões. A ideia é melhorar o escoamento da soja e outros itens agrícolas de cidades como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop, no norte mato-grossense.
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China planeja investir R$ 10 bi em ferrovia Cuiabá-Santarém
Hoje este trajeto é feito pela Rodovia BR-163, que passa por estas cidades. Depois de Santarém, a produção parte de navio direto para a China. Outra intenção dos chineses é usar a ferrovia como um meio mais barato para trazer importados aos mercados do centro-sul do Brasil. Fazem parte da comitiva chinesa funcionários da agência de promoção de exportações e investimentos do país, a Asian Trade & Investments (ATI).
PPP
O secretário extraordinário de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes do Mato Grosso, Francisco Vuolo, informa que a obra terá uma extensão de quase 2 mil quilômetros. Trata-se, segundo ele, de um trecho que estava concedido à
América Latina Logística (ALL) até o ano passado. A concessão foi devolvida ao governo federal por falta de interesse da empresa. Por este motivo, já existem estudos preliminares para a instalação do empreendimento.
De acordo com o secretário, a CMC poderá vir a construir esse ramal em forma de
Parceria Público-Privada (PPP) ou algum outro tipo de concessão. A estatal chinesa, que já assinou protocolo de intenções para fazer a obra, possui mais de 90 mil quilômetros de ferrovias instalados na China e em outros países.
Vuolo explicou que, inicialmente, os chineses tendem a erguer a ferrovia nas margens da BR-163 porque a construção ali ofereceria maior facilidade de concessão das licenças ambientais necessárias.
PAC
O projeto da ferrovia não está no
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal e, a princípio, poderia ser um empreendimento totalmente privado. No entanto, acredita-se que os chineses vão pedir apoio financeiro do governo brasileiro para instalar o ramal, como no caso da nova fábrica da Foxconn em São Paulo.
Em paralelo ao reconhecimento de campo dos chineses, a
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve realizar estudos de viabilidade técnica e de impacto ambiental do trecho para o desenvolvimento do modelo de concessão e processo licitatório. De acordo com Vuolo, o estudo começa até 20 de setembro de 2011, em uma parceria de técnicos das Universidades Federais do Mato Grosso e de Santa Catarina.
Espera-se ainda que a via férrea criada pelos chineses possa se conectar à
Ferrovia de Integração Centro-Oeste, e que o ramal da Ferronorte ainda concedido, que vai de Rondonópolis (MT) a Cuiabá, seja concluído. Essas linhas se conectam à
Ferrovia Norte-Sul, que em breve chegará aos portos mais importantes do Brasil.
PARA SABER MAIS
Acesse aqui o Mapa Ferroviário Brasileiro, produzido pela ANTT (arquivo PDF).
FONTE
DCI
Links referenciados
Agência Nacional de Transportes Terrestreswww.antt.gov.br
Programa de Aceleração do Crescimentowww.brasil.gov.br/pac
Ferrovia de Integração Centro-Oestewww.valec.gov.br/centro-oeste.htm
China National Machinery Corporationwww.cmc.com.cn/en
América Latina Logísticawww.all-logistica.com
Parceria Público-Privadawww.planejamento.gov.br/ppp/index.htm
Ferrovia Norte-Sulwww.valec.gov.br/ferrovia.htm
Acesse aquiwww.antf.org.br/pdfs/mapa-ferroviario-br
asileiro-2011.pdf
DCIwww.dci.com.br
Jornal Agrosoft
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