

Exportações do agronegócio batem recorde e sustentam superávit: O o superávit em março de 2010 do agronegócio foi de US$ 4,872 bilhões
Créditos: ArquivoEnquanto a balança comercial brasileira vem apresentando queda de superávit em 2010, a do agronegócio vem crescendo e obtendo novos recordes. Em março, as exportações do setor renderam US$ 6,011 bilhões, 25,5%a mais do que as do mesmo período de 2009 e maior valor já conseguido no mês desde o início da série histórica, em 1989. Subtraindo as importações, de US$ 1,139 bilhão, o superávit foi de US$ 4,872 bilhões, enquanto o da balança comercial completa foi de US$ 668 milhões.
O resultado positivo do agronegócio foi alavancado pelo aumento de 18,3% da receita nas exportações do complexo soja, que passaram de US$ 1,37 bilhões para US$ 1,66 bilhões, de 63,9% nas do açúcar, que subiu de US$ 407 milhões para US$ 667 milhões, de 26,2% nas do café, saltando de US$ 345 milhões para US$ 435 milhões, e de 24,8% nas vendas de carnes, que foram de US$ 914 milhões em março de 2009 e agora chegaram a US$ 1,14 bilhão.
Os volumes embarcados de carnes bovinas e suínas caíram, respectivamente, 2,4% e 4%. Apesar disso, o segmento conseguiu saldo positivo, porque houve aumento do preço médio desses produtos, de 28,3% para a carne bovina e de 20% para a suína.
As exportações para alguns países apresentaram crescimento expressivo na comparação entre os meses de março de 2009 e de 2010: China (83,9%), Estados Unidos (21,5%), Rússia (71,7%), Itália (48,6%), Arábia Saudita (50,2%), Japão (28,4%) e Irã (87%).
Levando em conta os blocos econômicos e regiões, os embarques aumentaram para a
União Europeia (6,8%),
Ásia (45,1%), Nafta (23,5%),
Oriente Médio (35,4%), Europa Oriental (77,2%)e
Mercosul (41,1%).
No acumulado dos três primeiros meses do ano, o setor também atingiu um novo recorde, com exportações no valor de US$ 14,49 bilhões, um crescimento de 15% em relação ao mesmo período de 2009 e de 4% na comparação com 2008, antes da crise mundial. Mesmo com aumento de 25% nas importações, que totalizaram US$ 3,037 bilhões, o saldo do primeiro trimestre foi maior: US$ 11,453 bilhões contra 10,165 bilhões do ano passado, crescimento de 12,7%.
ACORDO FORTALECE COMÉRCIO BILATERAL COM A CHINA
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e da China, Hu Jintao, assinam acordo para a criação do Programa de Ação Conjunto Brasil-China, denominado PAC. O objetivo é fortalecer o comércio bilateral entre os dois países com base em áreas específicas, como tecnologia e desportos. Já com o primeiro-ministro da Índia, Manmonahan Singh, foram adiadas algumas negociações por divergências sobres as questões nucleares.
Antes do acordo, Jintao e Singh participam da 2ª Cúpula dos Países
Bric – Brasil, Rússia, Índia e China – que será realizada em Brasília de 12 a 16 de abril de 2010.
É a segunda visita de Jintao ao Brasil. O subsecretário-geral político II do Itamaraty, Roberto Jaguaribe, que coordena a 2ª Cúpula
Bric, destacou as relações entre Brasil e China. "É um passo importante assegurando um avanço nas relações", disse ele. "A partir de 2016, a China é um país de economia de mercado."
Com a Índia o processo de negociação está estagnado porque o Brasil discorda da posição do governo indiano em relação ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Para a comunidade internacional, o TNP é o primeiro passo para um esforço coletivo de conter a disseminação dos armamentos nucleares.
Porém, o embaixador afirmou que a relação do Brasil com os indianos é positiva. "A nossa relação com a Índia é muito mais intensa. No passado, por causa dos armamentos [nucleares], [o processo de negociação em alguns setores] foi suspenso", disse Jaguaribe.
Os países do
Bric querem ser reconhecidos como um fórum de coordenação e negociação, não uma entidade normativa. O Brasil e a Rússia são grandes produtores de matérias-primas, os brasileiros com alimentos e os russos com o petróleo.
A Índia concentra o setor de serviços, enquanto a China acelera seu crescimento industrial tornando-se uma das principais parceiras de vários países. Com economias em desenvolvimento, todos os países se sentem unidos pelas dificuldades no cenário internacional.
ADOÇÃO DE MOEDA DIFERENTE DO DÓLAR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os representantes dos países que integram o
Bric – o Brasil, a Rússia, Índia e China – se reúnem em Brasília de 12 a 16 de abril de 2010. Um dos temas que serão discutidos na 2ª Cúpula do
Bric é a adoção de uma moeda alternativa a ser adotada pelo grupo nos acordos comerciais. A pedido dos chineses, está na mesa a proposta de escolher uma moeda que não seja o dólar.
Por enquanto, os debates estão em nível técnico. Nas relações multilaterais, a ideia é ampliar as parcerias e buscar mecanismos para fortalecer o grupo no cenário internacional.
"É uma obrigação de todos os países buscar um mecanismo com mais sustentabilidade. Mas não se trata de fazer nada [de modo] açodado. Ninguém pretende fazer algo que dê marolas ou ondas excessivas", afirmou o subsecretário-geral Político 2, Roberto Jaguaribe, que coordena a cúpula.
Segundo o embaixador, os técnicos dos bancos centrais dos países integrantes do
Bric vão se reunir para discutir o tema. "O
Bric não pretende ser um grupo como o G7 ou G8, mas um fórum de conversas. É um esforço de coordenação, não um grupo normativo", disse ele.
Jaguaribe afirmou que há cálculos que indicam que de 2000 a 2008 as nações do
Bric foram responsáveis pelo maior crescimento econômico no mundo. "[O grupo] passou a ser um instrumento de análise e virou uma categoria de compreensão dos entendimentos do comércio", disse.
FONTE
Agência Brasil
Danilo Macedo e Renata Giraldi - Repórter
Nádia Franco, Lílian Beraldo e Juliana Andrade - Edição
Links referenciados
Agência Brasilwww.agenciabrasil.gov.br
União Europeiaeuropa.eu/index_pt.htm
Oriente Médiopt.wikipedia.org/wiki/Médio_Oriente
Mercosulwww.mercosur.int
Ásiapt.wikipedia.org/wiki/Ásia
Bricpt.wikipedia.org/wiki/BRIC
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