

Movimentos sociais lançam bases de plataforma para eleições: Participantes do Fórum Social Mundial Temático da Bahia acompanham o segundo dia de debates
Créditos: Valter Campanato/ABrOs movimentos sociais aprovaram no último dia 28 um documento com pelo menos 50 propostas, que devem ser consolidadas em uma plataforma para as eleições. Os itens voltam a ser discutidos em uma grande reunião, em São Paulo, no dia 31 de maio.
Depois de uma semana de discussões, a Carta da Assembleia dos Movimentos Populares marca o encerramento do
Fórum Social Mundial, evento que reuniu 35 mil pessoas na capital gaúcha e em cinco cidades da região metropolitana, em mais de 900 atividades.
O documento contempla propostas em favor da reforma agrária, da garantia dos direitos sociais, do direito à comunicação, contra a instalação de bases militares na América Latina e contra políticas neoliberalistas. O enfrentamento ao racismo também é um dos destaques do texto.
Embora muitos pontos da carta sejam polêmicos e os próprios movimentos apresentem divergências, como ocorre em relação ao aborto, a consolidação de propostas é o principal destaque desta edição do FSM, na avaliação da
Central Única dos Trabalhadores (CUT).
As centrais sindicais também vão aproveitar a carta da assembleia para construir uma plataforma para eleições e voltam a se reunir em 1º de junho, em São Paulo.
"Saímos daqui com a consciência de que precisamos ser mais propositivos. Chega de fazer diagnóstico. Nosso diagnóstico foi concluído com a crise financeira, os próximos fóruns precisam dizer o que precisar ser feito daqui para frente", afirmou o diretor da CUT Quintino Severo.
A representante da União Brasileira de Mulheres Lúcia Stumpf disse que o fórum ainda não conseguiu "captar as transformações da sociedade" em relação ao feminismo. Ela afirmou ainda que é preciso avançar em relação a uma maior participação de mulheres nas mesas de debate.
"A conquista de uma sociedade livre do machismo, do racismo, da homofobia é uma conquista que vamos conseguir passo a passo, mesmo em espaços avançados como são os fóruns", afirmou ao comentar o percentual de 60% de mulheres entre os participantes.
Integrante da
Federação Única dos Petroleiros (FUP) Antonio Carlos Spis esclareceu que a carta ainda precisa ser mais debatida antes da consolidação de uma plataforma, que também incorporará propostas do Fórum Social Temático da Bahia, que começa hoje, com caráter governamental.
"O fórum é um movimento sempre crítico, amplo, com mais de mil entidades. O importante é encontrar consensos, respeitar as posições e construir unidade", destacou.
MST COBRA MAIOR RESPONSABILIDADE POLÍTICA
O coordenador nacional do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, cobrou compromisso e responsabilidade política dos movimentos sociais, ONGs e governos. "Vivemos um momento difícil na conjuntura nacional e internacional", disse, ao participar do
Fórum Social Mundial Temático da Bahia.
Segundo ele, temas como fome, meio ambiente e democracia precisam de mais atenção, e o evento na capital baiana pode funcionar como oportunidade para reunir militantes e dirigentes políticos e construir uma plataforma.
Ele voltou a defender a reforma agrária no país e pediu que a medida vá além do que a simples distribuição de terra e aborde ainda a soberania alimentar e a preservação ambiental. "Não é o agronegócio que vai resolver o problema, a reforma tem que gerar emprego não só para as famílias que vão receber terra mas também para os jovens", cobrou.
FONTE
Agência Brasil
Isabela Vieira e Paula Laboissière - Enviadas Especiais
Lílian Beraldo e Talita Cavalcante - Edição
Links referenciados
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terrawww.mst.org.br
Fórum Social Mundial Temático da Bahiawww.fsmtbahia.com.br
Federação Única dos Petroleiroswww.fup.org.br
Central Única dos Trabalhadoreswww.cut.org.br
Fórum Social Mundialwww.forumsocialmundial.org.br
Agência Brasilwww.agenciabrasil.gov.br
Jornal Agrosoft
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