Agrosoft Brasil

Agrosoft Brazil: International Edition in EnglishAGROSOFT BRAZIL: International Edition in English  

Jornal Agrosoft: Receba GRÁTIS

Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS

Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS

Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS

Agronegócio, câmbio e competitividade

artigos :: Por Editor em 29/12/2009 :: imprimir   pdf   enviar   celular

Um dos temas que têm me preocupado ultimamente é o futuro da inserção internacional do agronegócio brasileiro. Acredito que o setor esteja num processo de mudança: antes era fortemente baseado em expansão das exportações e de agora em diante, por razões que discutirei neste artigo, contará com crescentes investimentos estrangeiros diretos no exterior como estratégia de expansão internacional.



A primeira constatação é de que existem razões para acreditar que estamos entrando num período de menor crescimento das exportações do agronegócio, quando comparado com o período de forte expansão observado de 2001 a 2008. Na realidade, períodos de estagnação nas exportações não são novidade para o agronegócio brasileiro e, fazendo uma retrospectiva do início do Plano Real (1994) até hoje, observamos isso. De 1994 a 2000 as exportações ficaram praticamente estagnadas, girando ao redor de US$ 15 bilhões. A partir de 2001 as exportações decolaram, atingindo o recorde de US$ 61,4 bilhões em 2008. Em 2009 os dados até outubro indicam queda de 11% no valor total exportado. Afinal, essa queda em 2009 é temporária ou estamos entrando em mais um ciclo de exportações crescendo marginalmente, como observado entre 1994 e 2000?

Minha aposta é que vamos amargar um período de estagnação determinado por duas variáveis: menor crescimento da demanda mundial e menor competitividade do exportador brasileiro, devido ao real forte e à desvalorização do dólar. Essas duas variáveis, em sentido contrário, explicaram a expansão brasileira de 2001 em diante: um real que passou a perder valor a partir de 1999 e um forte crescimento mundial observado até 2008.

O exemplo dos EUA é ilustrativo para o Brasil. As exportações norte-americanas, de 1994 a 2009, apresentaram comportamento muito semelhante ao caso brasileiro: estagnação até 2002, crescimento até 2008 e queda em 2009. A diferença está nos detalhes. Enquanto no Brasil, de 1994 a 2001, houve aumento de 10% do valor exportado, nos EUA o aumento foi de 6%. Já no período de expansão mundial, nos EUA cresceram 96% e no Brasil, 300%. Assim, embora a tendência de ambos seja semelhante, a magnitude revela que há diferenças relevantes no desempenho das exportações do agronegócio.

A primeira evidência que a magnitude do crescimento revela é que o agronegócio brasileiro se mostrou mais competitivo do que o norte-americano, sobretudo quando a economia mundial saiu da estagnação dos anos 1990 e entrou na expansão dos anos 2000. Dado que a economia mundial cresceu igualmente para os dois países e, com exceção de alguns produtos, ambos possuem uma pauta exportadora semelhante e baseada em commodities, uma variável fundamental que explica a diferença de desempenho é a taxa de câmbio. Enquanto o Brasil mudou seu regime cambial em 1999, gerando imediata competitividade internacional para o agronegócio, o dólar seguiu valorizado ante outras moedas até 2003, quando passou a dar os primeiros sinais de desvalorização. Assim, o Brasil aproveitou-se antes e com maior rapidez do crescimento da demanda mundial que os EUA.

A situação que observamos atualmente é bem diferente. Além de a demanda mundial estar contraída, salvo em alguns casos, como as importações chinesas de soja, a situação de taxa de câmbio de ambos os países está diametralmente oposta. Enquanto temos assistido a uma valorização do real desde 2006, o dólar vem perdendo valor nesse período. Assim, a competitividade dos EUA está maior do que a brasileira para enfrentar o cenário de menor demanda que deve permanecer na economia mundial, sobretudo entre os países desenvolvidos, em 2010.

Concluímos, então, que o Brasil deixou de ser competitivo no mercado internacional? Certamente, o Brasil continua sendo competitivo no agronegócio, até porque parte da competitividade internacional decorre não apenas do menor custo, mas da capacidade de aumentar a oferta. Países como os EUA, que já utilizam grande parte dos seus recursos naturais para produção agropecuária, vivem o problema gerado pelo fato de que a expansão de um produto intensivo em terra leva à retração de outro, porque o ganho de produtividade não compensa imediatamente a perda de área, e isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, o Brasil continuará sendo competitivo porque tem capacidade de incrementar a oferta mais rapidamente do que os EUA. Aumentar a oferta, no entanto, não refresca muito em momentos de demanda reprimida.

Um cenário de menor demanda mundial e menor competitividade internacional deveria acender algumas luzes amarelas no Brasil. Afinal, o crescimento das exportações foi o grande motor do superávit da balança comercial do País nos anos recentes. A perda de competitividade do agronegócio norte-americano nos anos 90 foi enfrentada de três formas: desonerando a cadeia de produção com investimentos em infraestrutura (na realidade, esses aportes vinham sendo feitos nos EUA desde antes dos anos 80, o que aumenta ainda mais o déficit brasileiro nesse quesito); políticas pró-competitividade de exportação por meio dos programas de garantia de seguro de crédito; e uma forte política de subsídios via preços, para garantir renda ao produtor diante de preços mundiais baixos.

A alternativa de pesados subsídios não faz sentido no Brasil: ela custa muito para os contribuintes e expõe o País às regras da OMC. A alternativa de investimento em infraestrutura depende de decisões de longo prazo, que serão feitas paulatinamente e não resolverão o problema da competitividade para 2010. A alternativa de uma política de seguro de crédito é a que Brasil deveria adotar imediatamente como estratégia de gerar competitividade para o agronegócio brasileiro. Para o agronegócio, uma estrutura do tipo Eximbank seria de grande serventia.

AUTORIA

André Meloni Nassar
Diretor Geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais

Links referenciados

Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais
www.iconebrasil.com.br

Eximbank
www.exim.gov

Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS

Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS

Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS

Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS

www.agrosoft.org.br     © 2009 Agrosoft Brasil         Fale Conosco        Serviços