Matéria prima para a produção apícola, a cera de abelha foi muito utilizada e valorizada no passado, porém passou por um período de desvalorização, sendo substituída por ceras sintéticas, que possuem um custo menor. Contudo, recentemente a cera de abelha voltou a ter destaque no mercado mundial devido a suas características peculiares de aroma e plasticidade, seus efeitos medicinais e a tendência mundial em se consumir produtos naturais. Atualmente existe uma escassez total ou sazonal desse produto nos países industrializados.
Segundo a
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação –
FAO – a produção mundial de cera de abelha em 2007 foi 56.865 toneladas, o que corresponde a aproximadamente um quarto da produção de mel. O maior produtor mundial é a Índia, responsável por aproximadamente 35% da cera consumida, Argentina, Etiópia e República da Coréia, responsáveis por 6 a 8% da produção mundial.
As importações e exportações da cera de abelha movimentaram durante o ano de 2006, aproximadamente, 55 bilhões de dólares em todo o mundo. Os maiores importadores são Alemanha, França e Estados Unidos. O mel brasileiro é basicamente exportado para a União Europeia e os Estados Unidos, que nos últimos nove anos aumentaram a importação de cera de abelha em 21% e 42%, respectivamente (FAO, 2009). Segundo relatório do CBI (2002), além de ser usada na própria indústria apícola, essa cera é destinada à industria de cosméticos (30%), indústria de medicamentos (30%) e indústria de velas (20%).
Na indústria de cosméticos a cera é usada por conferir solidez a soluções emulsificantes, facilitando a produção de emulsões estáveis e aumentando a capacidade de retenção de água. Além da vantagem de ser um produto natural, a cera de abelha é não alergênica e confere estabilidade de cor nas maquiagens, fazendo com que seja mais usada nos cosméticos do que outros tipos de óleos vegetais, como o de palma, oliva, jojoba e milho (Bogdanov, 2009).
Entre os cosméticos fabricados com cera de abelha destacam-se a cera para depilação, que contem 50% de cera em sua composição, e os desodorantes, 30% (Bogdanov, 2009). No Brasil, de acordo com dados da
Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), nos últimos 12 anos o setor de cosméticos apresentou um crescimento médio anual de 11%, figurando entre os maiores consumidores de desodorante, perfumes, produtos infantis, produtos de cabelo, produtos de pele e produtos depilatórios.
O potencial da atividade apícola no Piauí é conhecido em todo o País. Aliado às condições ambientais, o agronegócio apícola vem recebendo grande incentivo de instituições governamentais e não governamentais, que apóiam os produtores com ações de pesquisa e desenvolvimento, capacitação, políticas públicas e aporte financeiro. Todo esse esforço é recompensado pelo aumento na procura do mercado por produtos apícolas piauienses.
Verifica-se, em especial, uma crescente demanda de cera de abelha por pequenas e micros empresas de cosméticos, que constantemente buscam informações junto à
Embrapa Meio-Norte sobre potenciais fornecedores. Essas empresas adquirem entre 1.000 e 1.500 Kg/mês de cera, que é usada na fabricação de cera para depilação. O preço do produto varia de acordo com a qualidade, podendo ser pago até R$35,00/kg.
Entretanto, existe uma queixa sobre a qualidade da cera comercializada no Estado. Segundo as indústrias, durante o processo de extração, os apicultores do Piauí estão colocando a cera diretamente no fogo, queimando o produto, reduzindo a qualidade e prejudicando a comercialização.
O desperdício é outro problema que se verifica constantemente. A substituição dos quadros velhos por novos não é realizada com a periodicidade recomendada, diminuindo a rentabilidade por ocasião da extração.
Outro problema comum é a enxameação, abandono das colméias pelas abelhas. Nem sempre o produtor consegue detectar a perda da colônia logo que ela acontece, fazendo com que as colméias e os quadros com cera fiquem no campo por muito tempo. Nessa condição os favos são rapidamente atacados pela traça da cera, que consomem toda cera, aumentando o prejuízo do apicultor, que, em geral, sequer se atenta para essa perda.
Esses problemas refletem o descaso com o subproduto e a necessidade em se investir na capacitação dos apicultores no que se refere ao aproveitamento e beneficiamento da cera com o objetivo de ampliar o mercado apícola e gerar renda para o Estado.
REFERÊNCIAS
Bogdanov, S.
Beeswax: Uses and Trade Bee Product Science, 2009. Disponível em:
www.bee-hexagon.net. Consultado em 8/agosto/2009.
CBI -
Center for the Promotion of Import From Devolping Countries.
Honey and beeswax. 2002. 60p.
FAO,
Food and Agriculture Organization of the United Nations.
Fao Statistical Database.
http://apps.fao.org/inicio.htm Consultado em 08.08.2009.
AUTORIA
Fábia de Mello Pereira
Pesquisadora de
Embrapa Meio-Norte
Links referenciados
Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticoswww.abihpec.org.br
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentaçãowww.fao.org.br
Center for the Promotion of Import From Devolping Countrieswww.cbi.eu
Food and Agriculture Organizationwww.fao.org
Food and Agriculture Organizationwww.fao.org.br
Organização das Nações Unidaswww.onu-brasil.org.br
http://apps.fao.org/inicio.htmapps.fao.org/inicio.htm
Fábia de Mello Pereirabuscatextual.cnpq.br/buscatextual/visual
izacv.jsp?id=K4799641J9
www.bee-hexagon.netwww.bee-hexagon.net
Embrapa Meio-Nortewww.cpamn.embrapa.br
Embrapawww.embrapa.br
FAOwww.fao.org.br
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