Há muitas maneiras de se conservar uma fruta após a colheita: colocando na geladeira, protegendo com um plástico adequado, usando ceras na casca, mantendo-a em lugar fresco e longe de outras frutas, dentre outras alternativas. Mas uma coisa é certa: de nada adiantará o cuidado com o produto após a colheita se antes dessa etapa o produtor não tiver o zelo necessário. Isso quer dizer que uma planta sem os cuidados adequados, como adubação, irrigação e prevenção de pragas e doenças, por exemplo, não produzirá frutas de qualidade. Consequentemente, todo e qualquer cuidado após a colheita será anulado, porque o manejo pós-colheita não melhora a qualidade das frutas, apenas contribui para conservá-las por mais tempo.
Ainda que o produtor realize os cuidados necessários com a planta, algumas ressalvas devem ser feitas após a colheita. A refrigeração é a melhor maneira de conservar um produto por mais tempo, seja fruta, flor ou folha. Entretanto cada produto exige uma temperatura diferenciada de armazenamento, dependendo do tipo de clima em que se originou. A banana, por exemplo, é uma fruta de clima tropical, proveniente de locais com temperaturas mais elevadas. Dessa forma, quando armazenada abaixo de 10°C a 12°C, sua casca fica escurecida. Já a maçã, por ser uma fruta de clima temperado, suporta temperaturas de armazenamento de 1°C por até 1 ano. Esses cuidados são tomados pelas grandes empresas de distribuição e transporte, mas também devem ser seguidos pelo pequeno produtor e consumidor.
Outra questão é a proximidade das frutas durante o transporte e armazenamento. Mesmo após a colheita, elas produzem um hormônio chamado etileno, que acelera o seu amadurecimento. Aquelas frutas que fabricam essa substância em maior quantidade têm a durabilidade prejudicada. O maracujá, por exemplo, produz muito etileno, por isso deve ser armazenado longe de outras frutas, mesmo na fruteira de nossa casa, pois do contrário, aquele mamão que estava verde amadurecerá rapidamente e se perderá em um curto espaço de tempo.
O ambiente de exposição dos produtos para venda e consumo direto também deve ser adequado. Assim, frutas que são colhidas e vendidas diretamente sob o sol podem perder os seus principais nutrientes ao longo do tempo de exposição.
A proteção de frutas com biofilmes é uma tendência fortemente adotada pelas empresas. Muitas delas já são oferecidas no mercado com essa cobertura, como é o caso do maracujá, da laranja e da manga. Esse material, que pode ser feito de cera de carnaúba, películas de féculas de mandioca entre outros, mantém os alimentos túrgidos por mais tempo, além de melhorar a aparência e a durabilidade. Muitos estudos abordam esse tema e a literatura científica já recomenda um tipo de cera para cada fruta.
Outro fator, que pode interferir na qualidade das frutas após a colheita, é o transporte. Frutas transportadas em caminhões abertos, como a banana, ficam expostas e apresentam, após chegarem ao comércio, manchas negras na casca devido ao dano mecânico por pressão elevada e esmagamento. Além disso, a exposição em supermercados também requer cuidados como a oferta em buquês (disposição em aproximadamente 3 a 5 frutos) ou em pencas suspensas em ganchos na vertical, para que o peso de uma sobre a outra não deforme os frutos.
Por fim, o próprio consumidor contribui para a baixa durabilidade de determinadas frutas, em virtude de hábitos inadequados como apertá-las para verificar se estão maduras, fazendo com que durem menos nas prateleiras do supermercado.
Dessa forma, todos (produtores, transportadores, varejistas, donos de supermercados, feirantes e consumidores) podem colaborar para uma maior durabilidade das frutas. Hoje, a perda pós-colheita de frutas no Brasil é estimada em aproximadamente 40% devido ao manejo inadequado, e qualquer que seja a nossa contribuição poderá ajudar a reduzir esse índice. Tudo é válido para aumentar a produção de frutas e tornar a participação desse segmento mais efetiva no desenvolvimento econômico do País. Cuidado é a palavra-chave para a conservação pós-colheita.
AUTORIA
Virgínia de Souza Álvares
Pesquisadora da
Embrapa Acre
Doutora em Fitotecnia
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