Como manter a economia agrícola em pleno desenvolvimento e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente e a cultura locais? Com o objetivo de tentar responder a esta questão, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Institut de Recherche pour le Développement (IRD) promoveram o seminário franco-brasileiro Patrimônio cultural e sistemas agrícolas locais, nos dias 19 e 20 de novembro, na Embaixada da França, em Brasília. O seminário, voltado para um público formado por profissionais do patrimônio, cientistas e estudantes, encerrou a programação do Ano da França no Brasil na capital federal.
Na abertura do evento, representantes dos dois países saudaram a iniciativa de debater políticas públicas de conservação da biodiversidade e de preservação de conhecimentos tradicionais, dentro de um quadro de desenvolvimento produtivo.
Segundo Marina Felli, adida de cooperação técnica da
Embaixada da França no Brasil, o evento ganha ainda mais importância em razão de propor uma reflexão sobre as políticas internacionais de proteção e de desenvolvimento, ganhou relevância por acontecer no mesmo momento em que chefes de Estado e representantes da
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) se reuniam em Roma no Encontro Mundial sobre Segurança Alimentar.
"Um em cada seis habitantes no mundo não tem o que comer", relatou. "Diante dessa realidade nós devemos, de um lado, discutir propostas de erradicação da fome e, de outro, políticas que evitem impactos como a perda da biodiversidade, o empobrecimento dos solos, o aumento da poluição e a banalização da cultura", afirmou Marina.
Para Márcia Sant’Anna, diretora do departamento de patrimônio imaterial do
Iphan, a grande importância do seminário está em ampliar e aprimorar as ações do Brasil e da França na área da salvaguarda do patrimônio cultural, em particular no que se refere aos sistemas agrícolas tradicionais e familiares. "O IRD assinou com o
Iphan um termo de cooperação que permitiu o desenvolvimento de ações na cidade de Santa Isabel do Rio Negro, na Amazônia. Esse projeto, que está quase concluído, poderá fomentar ações em outros biomas brasileiros, como o cerrado, por exemplo," espera a diretora.
O representante do IRD no Brasil, Jean-Loup Guyot, também elogiou o debate promovido em Brasília. "Espero que ao final do encontro possamos delinear mais ações para reforçar a colaboração, o intercâmbio de informações e os resultados de pesquisas entre os dois países", afirmou.
Para Vincent Defourny, diretor do escritório brasileiro da
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a aproximação entre patrimônio e desenvolvimento é uma temática pertinente e atual. "O Brasil é o país certo para discutir esse assunto, em razão de seus atributos e contradições. Afinal, aqui destacamos a riqueza da biodiversidade, a presença de povos indígenas e a maior produção agrícola do mundo. Essa convivência pode indicar caminhos para a elaboração de políticas públicas de promoção da diversidade", concluiu o diretor.
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Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentaçãowww.fao.org.br
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