O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou ontem (1º) que o real foi um grande avanço, mas que o produtor do campo pagou "um preço" com o plano. Para ele, depois de tantos planos de combate à inflação, é indiscutível que as medidas adotadas foram bem feitas, bem conduzidas e administradas, mas a agricultura, considerada a "âncora verde da Plano Real", foi obrigada a manter preços baixos para não pressionar a inflação.
A consequência, na opinião do ministro, foi que nos três anos seguintes à implantação do plano a produção diminuiu, numa época em que não havia um mercado de excedentes e grande parte da produção terminava sendo consumida internamente.
Stephanes afirmou que parte do endividamento agrícola vem daquela época, mesmo considerando os problemas climáticos.
"Os preços caíram muito e aí o agricultor, embora recebesse crédito abundante, não tinha como devolver esse crédito depois". Ele lembrou que, para rolar a dívida, o agricultor tomava novo empréstimo e se endivida mais.
O ministro fez questão de deixar claro que o plano foi positivo, pois nos anos seguintes o fato de não haver inflação permitiu planejar ações, o que mudou o panorama, principalmente para "os pequenos" tanto assalariados quanto produtores agrícolas.
"Sabemos que quem pagava o preço pela inflação eram os assalariados, os que tinha menor poder de renda. Isso aconteceu também com a pequena agricultura, com aqueles que não tinham a menor condição de comercializar a produção e acabavam pagando um preço muito alto por causa da inflação".
Stephanes lembrou que nos anos seguintes ao lançamento do plano a agricultura passou a ter desempenho cada vez melhor; o agronegócio se desenvolveu com velocidade e maior eficiência. Essa nova realidade permitiu mensurar melhor os custos de produção, os ganhos e a renda, o que era praticamente impossível durante o período de alta inflação.
Quanto à valorização do real ante o dólar, o ministro não credita apenas à força da moeda brasileira. Para ele, o real se mantém numa boa posição porque os fundamentos da economia estão bem e isso faz com que os investidores tenham mais confiança e vejam o Brasil como uma das grandes opções.
"Isso faz com que o dólar se deprecie em relação ao real [com mais dólares na economia]. Então, não é só o fato de o real ser uma moeda boa e forte".
FONTE
Agência Brasil
Daniel Lima - Repórter
Tereza Barbosa - Edição
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