O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou ontem (23/6) que o setor adotará um código de conduta para evitar o abate e o processamento de gado criado em áreas de desmatamento da Amazônia. Ele fez a declaração no Senado Federal, onde participou de audiência pública na Comissão de Agricultura.
De acordo com Giannetti, o código de conduta é uma forma de adequar o setor ao termo de ajuste de conduta proposto pelo
Ministério Público do Estado do Pará e pelo
Ministério do Meio Ambiente (MMA), que proíbe a comercialização de carne de animais provenientes de áreas desmatadas.
O executivo da
Abiec disse que atualmente é impossível controlar toda a cadeia produtiva da carne e identificar animais oriundos de áreas clandestinas. Isso porque, ressaltou, 30% do gado abatido no país é clandestino.
Neste momento, assinalou Giannetti, o setor não tem condições de assinar o termo de ajuste de conduta e, por isso, optou pelo código. Ele ainda criticou o governo e o ministro Carlos Minc, que "teria falado muito e feito pouco pelo setor".
A primeira experiência de gado rastreado, desde o nascimento até o abate, está sendo iniciada em Mato Grosso do Sul, informou Gianetti. A partir da implantação desse sistema, acrescentou, será possível identificar a origem de todos os animais abatidos no país.
MORATÓRIA À CARNE DA AMAZÔNIA
Em mais um sinal favorável à política ambiental do governo de Mato Grosso de impedir pressão econômica sobre a Amazônia, o grupo
Marfrig anunciou no último dia 22 ao governador Blairo Maggi moratória a bovinos originários do bioma. Em sua decisão comercial, a empresa se propõe a não adquirir, abater ou comercializar de imediato animais da área do ecossistema que tenha sido desmatada. Diretores do grupo reuniram-se com o governador com a presença da Organização Não-Governamental (ONG)
Aliança da Terra.
A companhia é uma das maiores exportadoras de carne bovina do Brasil e da América do Sul e tem plantas em nove países diferentes.
"Assim como já fizemos em outros setores da agricultura que têm relação direta com o desenvolvimento sustentável, buscamos um programa de pecuária legal no Estado de Mato Grosso. E o passo dado pela Mafrig a partir de hoje mostra que estamos no caminho certo", avaliou o governador Blairo Maggi.
Na reunião entre os executivos do grupo e o governo do Estado, ficou acordado ainda que a moratória terá validade até a implantação do programa MT Legal, que prevê a regularização ambiental das 140 mil propriedades rurais de Mato Grosso. "A entrada do produtor no MT Legal significará que, a partir desse momento, ele cumpre com todas as normas ambientais e, portanto, poderá comercializar normalmente sua produção", disse o governador Blairo Maggi. O MT Legal é maior programa de regularização fundiária do país.
De acordo com o presidente da
Marfrig, Marcos Molina, a empresa se compromete a trabalhar em parceria com o governo do Estado de Mato Grosso e com a sociedade brasileira em um programa de garantia de origem dos animais, ao promover a adesão dos seus fornecedores que fazem a engorda dos bovinos.
Com isso, será possível controlar a origem dos animais para abate, a fim de que estes não sejam provenientes de áreas embargadas pelo
Ibama ou que constem da lista de trabalho escravo do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Com um rebanho de 25,6 milhões de cabeça, segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os frigoríficos de Mato Grosso voltaram a obter resultado financeiro positivo em abril. De acordo com dados daquele mês do
Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo), houve recuperação significativa da comercialização do setor em comparação com as quedas constantes verificadas a cada mês no primeiro trimestre. O valor comercializado ao exterior no mês teve aumento de 17,3% em dólar (US$ 39,226 milhões contra US$ 46,012 milhões). Já a quantidade exportada, ampliou para 27,3% (12,655 mil toneladas e 16,109 mil toneladas).
Em 2008, a exportação de frigoríficos de carnes e derivados bovinos de Mato Grosso atingiu US$ 698,053 milhões, valor 11,33% maior que os US$ 626,992 milhões registrados em 2007. Nos últimos três anos, as plantas frigoríficas do Estado tem mantido uma média de 13% de participação no volume nacional exportado em dólar.
Mato Grosso dispõe atualmente de 37 plantas frigoríficas, sendo que 15 estão fechadas e outras 22 em atividade. Algumas delas pararam abate neste ano justamente em cidades da região amazônica.
FONTES
Agência Brasil
Ivan Richard - Repórter
João Carlos Rodrigues - Edição
Agência de Notícias de Mato Grosso
Jonas da Silva - Jornalista
Links referenciados
Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grossowww.sindifrigo.com.br
Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carneswww.abiec.com.br
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticawww.ibge.gov.br
Ministério Público do Estado do Paráwww.mp.pa.gov.br
Agência de Notícias de Mato Grossowww.secom.mt.gov.br
Ministério do Trabalho e Empregowww.mte.gov.br
Ministério do Meio Ambientewww.mma.gov.br
Aliança da Terrawww.aliancadaterra.org.br
Agência Brasilwww.agenciabrasil.gov.br
Jonas da Silvajonas.silva@secom.mt.gov.br
Senado Federalwww.senado.gov.br
Marfrigwww.marfrig.com.br
Abiecwww.abiec.com.br
Ibamawww.ibama.gov.br
Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS