O presidente Luiz Inacio Lula da Silva disse, em entrevista concedida para a agência chinesa de notícias Xinhua, e publicada no último dia 18, que sua visita à China tem o objetivo de fortalecer a parceria estratégica entre Brasil e China. Segundo Lula, a parceria estratégica está centrada em três importante setores: comércio, cooperação científica e coordenação em questões internacionais.
De acordo com o presidente da República, o Brasil está interessado em aumentar as exportações de produtos industriais acabados, pois a atual pauta de exportações brasileiras para a China esta baseada principalmente em produtos primários.
"O Brasil tem um enorme potencial para exportar produtos de alto valor agregado e, portanto, o comércio bilateral pode ser mais equilibrado e sustentável", disse Lula.
O presidente também manifestou esperança a China seja capaz de aumentar os investimentos, no Brasil, em setores de alta tecnologia, "como a
Embraer faz em Harbin", cidade chinesa.
FÁBRICA DE AUTOMÓVEIS CHINESA
A fábrica de automóveis chinesa Chery, uma empresa estatal da província de Xangai, vai se instalar no Brasil para produzir 150 mil carros por ano. Os chineses estão estudando locais para abrir a unidade no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas Gerais e no Ceará.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está desde o último dia 18 na China, na segunda etapa da viagem à Ásia, que inclui ainda visita à Arábia Saudita e à Turquia.
FINANCIAMENTO
A
Petrobras fechou ontem (19/5) as negociações que mantinha com o
China Development Bank (CDB) para um financiamento de US$ 10 bilhões por dez anos. O empréstimo resulta do plano de cooperação entre os governos brasileiro e chinês.
A
Petrobras usará os recursos para financiar investimentos, o que inclui a compra de bens e serviços de empresa da China. No mesmo contrato de empréstimo com o CDB, ficou acertado um aumento no volume atual de exportação de petróleo do Brasil para a China.
Também está previsto um acordo de longo prazo de exportação entre a
Petrobras e a Unipec Asia, uma subsidiária da
Sinopec, com volumes de venda de 150.000 barris de petróleo por dia no primeiro ano e de 200.000 barris de petróleo por dia nos nove anos subsequentes.
A estatal brasileira de petróleo assinou também um acordo de intenções – memorando de entendimento – com a
Sinopec para cooperação em vários segmentos de interesse mútuo, incluindo exploração, refino, petroquímica e suprimento de bens e serviços.
INAUGURAÇÃO
Para aprofundar os laços culturais e acadêmicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou ontem (19/5) em Pequim o Centro de Estudos Brasileiros da Academia de Ciências Sociais da China, centro de pesquisas fundado em 1978, no início das reformas econômicas que transformaram o país numa superpotência emergente. O centro vai ensinar português e realizar pesquisas sobre o Brasil.
O diretor da academia declarou, na ocasião, que o Brasil e a China têm uma agenda comum: recuperar a economia, combater o protecionismo e reformar os sistemas financeiro e monetário internacional. Ele afirmou que não há um modelo de desenvolvimento único capaz de resolver os problemas do mundo moderno e por isso é importante discutir e estudar as experiências de vários países: "O Brasil e a China têm interesses estratégicos e acadêmicos."
FONTE
Agência Brasil
Nelson Franco Jobim
Enviado Especial da EBC
Riomar Trindade
Repórter
Links referenciados
China Development Bankwww.cdb.com.cn/English
Agência Brasilwww.agenciabrasil.gov.br
Petrobraswww.petrobras.com.br
Embraerwww.embraer.com.br
Sinopecenglish.sinopec.com
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