Segundo informações do jornal O Estado de São Paulo, o governo vai reduzir o preço do óleo diesel. Não há data para a medida entrar em vigor porque o governo ainda estuda a melhor forma de baratear o combustível. A medida, porém, é considerada fator determinante para incrementar a economia e combater os efeitos da crise internacional. A expectativa é que a redução entre em vigor já no mês de maio.
No último dia 14, ao ouvir a queixa dos representantes dos caminhoneiros sobre o alto custo do diesel no preço dos fretes, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, confirmou a decisão política de baixar o preço do óleo, conforme apurou o jornal Estado de São Paulo.
Segundo outras fontes ouvidas pelo mesmo jornal, o barateamento do diesel foi um dos temas da conversa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente da
Petrobras, José Sérgio Gabrielli, na noite do último dia 13.
Na audiência com Dilma, que durou mais de uma hora, os caminhoneiros expuseram as dificuldades que enfrentam, lembraram a importância do setor para a economia e pediram a redução de 30% no preço do óleo diesel. "Realmente, o preço do diesel está impactando demais a economia. Já está na hora de a
Petrobras mexer nesse valor", disse a ministra, segundo relato de um dos participantes.
Segundo informações apuradas pelo jornal, a ministra Dilma foi enfática ao responder ao pedido dos caminhoneiros: "Trinta por cento não dá, mas vamos ver o que é possível fazer". Quanto ao prazo da decisão, ela comentou: "Não garanto que seja agora, este mês, mas quem sabe no mês que vem". Em seguida, reiterou: "Mas vai ter de mexer nesse preço".
Os caminhoneiros saíram animados da audiência e gostaram de ouvir a ministra dizer que "o governo está atento e preocupado" com os problemas que o setor de carga enfrenta. A ministra confidenciou ainda que em assuntos relacionados a transporte de carga, normalmente é o próprio Lula quem leva as notícias para ela. Segundo os caminhoneiros, o presidente ouve queixas diretamente do setor porque teria um parente próximo na categoria.
O governo está discutindo ainda onde poderá mexer para reduzir o preço dos combustíveis em geral, e não apenas do diesel. No ano passado, o Planalto mandou baixar o preço da gasolina a partir da redução da parcela da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), um tributo cuja cobrança vem embutida no preço dos combustíveis.
Agora, poderá usar a mesma estratégia, mas não está descartada a possibilidade de a parte do preço referente à realização dos lucros da
Petrobras, juntamente com o custo do refino do óleo diesel, ser alterada para beneficiar o consumidor.
Hoje, 60% do preço do óleo diesel corresponde ao lucro e ao custo de produção. A distribuição, a revenda e o biodiesel representam 19% do valor. O ICMS é de 13% e a parte da Cide, juntamente com o PIS/Cofins, de 8%.
O preço na bomba é da ordem de R$ 2,20. O último reajuste do diesel foi em 2 de maio de 2008, quando o preço subiu 15%. No mesmo reajuste, a gasolina subiu 10%.
MINISTRO CONFIRMA
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou ontem (15/4), por meio de sua assessoria de imprensa, que o governo criou um grupo de trabalho, formado pelos ministérios de Minas e Energia e da Fazenda e pela
Petrobras, para avaliar a viabilidade da queda nos preços do diesel, reivindicada por um grupo de caminhoneiros à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Outro auxiliar direto do presidente fez questão de ressaltar que "a economia do Brasil circula sobre rodas e usa óleo diesel" e uma ajuda nessa área teria um forte impacto na contenção dos efeitos da crise.
No caso dos caminhoneiros, de 40% a 50% do valor do frete é consumido pelo combustível. Os caminhoneiros autônomos também reclamaram do alto valor dos pedágios.
PEDÁGIO
Os caminhoneiros disseram à ministra Dilma que têm enfrentado dificuldades para pagar as prestações dos financiamentos dos caminhões e pediram um prazo de carência. Os que tomaram empréstimos em bancos públicos puderam refinanciar a dívida, mas os profissionais que recorreram a bancos privados estão perdendo os caminhões.
Há cerca de 1 milhão de caminhoneiros no Brasil e metade deles renovou a frota ou refinanciou sua dívida - a estimativa é que 80% estejam inadimplentes. Segundo o presidente do
Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, 80% dos que compraram caminhão novo ou refinanciaram os que já possuíam estão enfrentando problemas com os bancos e tendo seus caminhões tomados pelas financeiras por causa de atraso no pagamento das prestações.
"Com a crise, o volume de fretes e valor pago caíram mais de 50%. E não estamos tendo como pagar as prestações", disse Botelho. Hoje, disse ele, a oferta de serviço de transporte por caminhão é superior à carga disponível. "Transportamos a economia do País e precisamos de apoio do governo", afirmou.
FONTE
O Estado de São Paulo
Links referenciados
Movimento União Brasil Caminhoneirowww.uniaobrasilcaminhoneiro.org.br
O Estado de São Paulowww.estado.com.br
Petrobraswww.petrobras.com.br
Jornal Agrosoft
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