Os vencedores do II Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais já começaram a colher os lucros de sua preocupação com a qualidade. Os negócios com os cafés especiais participantes começaram a ser fechados ainda durante a cerimônia de premiação, realizada terça-feira (10 de novembro de 2005), no auditório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).
A maior vantagem para os produtores que participam é a valorização de seu produto num mercado disposto a pagar altas somas pela qualidade. No leilão realizado em Lavras na última terça-feira [08/11/05] com os lotes vencedores, uma saca de café orgânico certificado, do produtor Carlos Daniel Claudio, de Nepomuceno, atingiu o preço de R$ 855,00 por saca de 60 quilos - 216,6% acima do valor de mercado. O preço médio por saca ficou em R$ 587,40 o que significou ágio de 106,1% em relação à cotação do dia 8 de novembro, para cafés de qualidade (de R$ 270,00).
O presidente da Emater-MG, José Silva Soares, destacou a importância do concurso de qualidade de café, produto que corresponde a 40% das exportações do Estado de Minas Gerais. "Os melhores cafés do Brasil saem de Minas", afirmou. "Queremos estimular os agricultores a se profissionalizarem, a gerir suas propriedades como empresas lucrativas. E esse concurso é especialmente importante, pois é aberto aos pequenos agricultores familiares, que são responsáveis por 70% do café produzido no Estado. Nosso maior desafio é fazer com que tenham competitividade no mercado e a qualidade do produto é fundamental para aumentar seu valor agregado", disse.
"O leilão é uma oportunidade de demonstrar o reconhecimento aos produtores que se preocupam com a qualidade do café. O ágio médio do leilão este ano superou o do último concurso, em 2004, o que reafirma a importância de obter um produto melhor, para alcançar maior remuneração. Há compradores dispostos a pagar valores muito bons pelos melhores cafés", afirma Marcelo Felipe, coordenador estadual de cafeicultura da Emater-MG.
O vencedor na categoria empresarial café cereja descascado, José Bernardes Santana, de Araponga (Zona da Mata), é um veterano nos concursos de qualidade, dos quais participa desde 2002. Ele considera o Concurso Estadual dos Cafés de Minas o mais representativo. "Os produtores de menor porte não têm oportunidade de mostrar o trabalho que fazem e aqui há este espaço", diz. "Essa preocupação com a qualidade será cada vez mais importante, pois daqui a alguns anos ficará de fora do mercado quem não tiver um produto especial", prevê.
O concurso é uma ação do AgroMinas Café, projeto estruturador do Governo de Minas Gerais coordenado pela Secretaria de Agricultura, por meio da Emater-MG, com apoio da Universidade Federal de Lavras (UFLA). O número de cafeicultores inscritos aumentou 50% este ano. Em todo o Estado, 980 amostras foram apresentadas para o concurso deste ano, contra 652 no ano passado. A região de Guaxupé registrou a maior concentração de participantes: 253 inscritas em 16 municípios. No total, cafeicultores de 178 municípios de todas as regiões produtoras enviaram amostras.
"Trabalhamos para incentivar a melhoria constante da qualidade do café como meio mais eficaz para conquistar novos mercados e agregar valor ao produto, atendendo à crescente demanda por produtos diferenciados e criando novas possibilidades para aumentar a renda dos cafeicultores", afirma Marcelo Felipe.
Ele explica que o concurso foi lançado como forma de permitir a participação não apenas dos grandes cafeicultores, como também dos pequenos. "Esse ano, a participação não só foi maior como melhorou a qualidade dos cafés apresentados em relação ao ano passado", informa. "É uma metodologia eficiente que permite, além de identificar pontos de estrangulamento no processo produtivo de cafés no Estado, estabelecer ao mesmo tempo programas, projetos e estudos para sanar os problemas".
O gerente-adjunto do AgroMinas Café, Bernadino Cangussu Guimarães, disse que muito difícil selecionar os melhores entre as quase mil amostras apresentadas. "O concurso é uma oportunidade de demonstrar a excelente qualidade dos cafés de todas as regiões produtoras do Estado. E também permite atestar a liderança de Minas Gerais não apenas na quantidade de cafés produzidos, mas também na qualidade", afirmou.
Os extensionistas da Emater-MG também são beneficiados com o concurso de qualidade, segundo Bernadino, pois, por meio da seleção das amostras inscritas, é possível avaliar as potencialidades de cada região. "Dessa forma, podemos ter um mapeamento de todos os cafés produzidos no Estado. Podemos potencializar as qualidades dos melhores e corrigir os defeitos dos demais", explica.
Participaram produtores de todas as regiões, em cinco categorias: Agricultura Familiar (café natural e café cereja descascado), Empresarial (café natural e café cereja descascado) e Café Orgânico.
Na categoria Agricultura Familiar, puderam participar cafeicultores que mantenham até dois empregados fixos e tenham 80% da renda familiar gerada na propriedade, com no máximo R$ 60 mil de renda bruta. Para participar na categoria Orgânico, os agricultores apresentaram, na inscrição, cópia do certificado fornecido por entidade credenciada. Os demais concorrentes que não se enquadrarem em nenhuma destas duas categorias foram incluídos na categoria Empresarial.
O concurso foi realizado em duas etapas. Uma equipe de degustadores fez uma pré-seleção das amostras entregues pelos produtores. Após essa triagem, provadores de categoria internacional escolheram, entre 360 amostras selecionadas, as melhores em cada modalidade (natural e descascado) das três categorias. As provas são realizadas "às cegas"(ou seja, as amostras não são identificadas), no Pólo de Tecnologia de Qualidade de Café da UFLA. Os primeiros colocados em cada categoria participaram de um leilão, realizado em Lavras, com a participação das maiores empresas exportadoras do mundo.
Conheça os vencedores
Categoria Café Empresarial Cereja Descascado José Bernardes Santana, do município de Araponga. No leilão realizado terça-feira [08/11/05], em Lavras, seu café atingiu a cotação de R$ 495,00 por saca, tendo sido arrematado um lote com 30 sacas, pela Cooxupé.
Categoria Café Empresarial Natural
José Antônio de Faria, de São Sebastião do Paraíso.
No leilão, vendeu 55 sacas, por R$ 580,00 por saca. O comprador foi a Mc Coffee do Brasil.
Categoria Café Familiar Natural
Luiz Paulo Dias Pereira Filho, de Carmo de Minas.
Vendeu 14 sacas para a Mc Coffee por R$ 600 a saca.
Categoria Familiar Cereja Descascado
Carlos Roberto dos Santos, de Pedralva. Seu produto atingiu R$ 620,00 a saca, com 10 sacas vendidas para a McCoffee.
Categoria Café Orgânico
Carlos Daniel Claudio, de NepomucenoSeu café, certificado, foi vendido no leilão de terça-feira por R$ 855,00 a saca, para a empresa Café Toko.
Fonte: Emater-MG
Jornal Agrosoft
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