O governo da Argélia deve encomendar da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) um projeto sobre a tecnologia de cruzamento de gado das raças Gir com Holandês, cujas matrizes além de serem resistentes ao clima tropical, têm alta produção de leite. A expectativa é do engenheiro agrônomo Paulo Galeano, gerente do escritório da Embrapa, em Gana, na África do Sul, e que integra a delegação brasileira que está em missão comercial ao Norte da África.
Galeano disse que os argelinos também estão interessados na tecnologia para o cultivo e processamento de cereais, pois a indústria local não apresenta capacidade produtiva suficiente para acompanhar os avanços que estão sendo implementados na agricultura para diminuir a dependência da importação de alimentos, hoje em torno de 45%.
"O Brasil é o líder mundial em tecnologia para a região agrícola tropical, e o objetivo da
Embrapa é solucionar problemas do setor agrícola, fazendo a transferência de nossa tecnologia para institutos de pesquisas agropecuárias de outros países."
Segundo ele, na África, a empresa desenvolve projetos em Benin, Gana, Senegal, Serra Leoa, Libéria, Angola, Moçambique, Nigéria e São Thomé e Príncipe. Além disso, a
Embrapa tem escritórios na Coréia do Sul, nos Estados Unidos, na França, Inglaterra e Holanda.
Em Gana, a
Embrapa repassou tecnologia para a plantação de cana-de-açúcar de variedade brasileira em uma área de 27 mil hectares. Os primeiros 100 hectares começaram a ser plantados em dezembro e a expectativa, segundo Galeano, é de que nos próximos dois anos os 27 mil hectares estejam cultivados e a usina de beneficiamento da cana implantada. Toda a produção será vendida para a Suécia.
"Na Tunísia, as conversas também foram para transferência de tecnologia para o cultivo de trigo e da cana-de-açúcar, que hoje são importados em larga escala, principalmente do Brasil. No Marrocos, a
Embrapa também pode ajudar no desenvolvimento de projetos para melhorar a qualidade de culturas como trigo, milho e cana-de-açúcar".
BRASIL E MARROCOS CRIAM COMITÊ DE PROMOÇÃO COMERCIAL
A assinatura onteme (30/1) de um acordo para a criação de um comitê de promoção comercial e investimentos entre Brasil e Marrocos marcou o encerramento da missão comercial chefiada pelo ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ao Norte da África. Durante toda a semana, cerca de 90 empresários e representantes de entidades e de estatais estiveram na Líbia, Argélia, Tunísia e hoje no Marrocos em busca de oportunidades para exportar produtos para a região.
A tentativa do governo de abrir novos mercados é uma estratégia para driblar os efeitos da crise financeira internacional no país, e na avaliação do ministro Miguel Jorge, os resultados foram positivos. Alguns acordos foram fechados e muitos outros alinhavados por exportadores de setores como infra-estrutura, tecnologia da informação, energia, agronegócios, alimentos, têxteis, calçados e máquinas e equipamentos.
"Missões como esta são importantes para abrir novos mercados, e o que nós temos oferecido é o grande diferencial, que é a transferência de tecnologia a custo zero para estes países, por exemplo na agricultura, na produção de alimentos e mesmo nas grandes obras da construção civil de portos, aeroportos e estradas", enfatizou ele, lembrando, ainda, que, quando as empresas brasileiras se instalam nesses países, fazem a capacitação e treinamento de mão-de-obra, usando trabalhadores locais e também transferindo tecnologia na área de engenharia e de serviços.
O ministro do Comércio Exterior do Reino de Marrocos, M. Maazouz, brincou dizendo que o Brasil está vencendo o Marrocos por 3 a 0, pois esta é a terceira missão comercial de empresários brasileiros a seu país, enquanto nenhuma viagem comercial de empresários marroquinos foi organizada para conhecer de perto o mercado brasileiro. Ele reiterou o interesse em parcerias com o setor de energia, automobilístico e de alimentos processados.
De acordo com Maazouz, acordos como o assinado com o Brasil já estão em andamento com todos os países da América do Sul, exceto com a Colômbia. As negociações mais adiantadas são com a Argentina, com o comitê fazendo reuniões mensais para tratar principalmente de licenciamento para importações.
Dados do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Midic) indicam que em 2008 as exportações do Brasil para o Marrocos somaram US$ 511 milhões, um aumento de 16,7% em relação a 2007. Os principais produtos exportados foram cana-de-açúcar, soja, óleo de soja, trigo, milho, madeira, tratores e veículos de carga. As importações marroquinas somaram US$ 1,14 bilhões, 115% a mais do que em 2007 e os produtos mais importados foram fertilizantes, ácido fosfórico, fosfatos e sardinhas congeladas.
Após o encerramento do seminário com empresários marroquinos, o ministro Miguel Jorge seguiu para a localidade de Ifrane, para um encontro com o rei Mohammed VI.
"O fato de o rei receber um ministro brasileiro é uma deferência para o governo do Brasil, pois tenho informações de que nos últimos meses o rei não tem recebido autoridades de outros governos em missão oficial a Marrocos", disse Miguel Jorge.
FONTE
Agência Brasil
Cristiane Ribeiro*
Repórter
Links referenciados
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exteriorwww.mdic.gov.br
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuáriawww.embrapa.br
Agência Brasilwww.agenciabrasil.gov.br
Embrapawww.embrapa.br
Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS