O bioma amazônico tem gerado grandes preocupações quanto à preservação de seus recursos naturais frente às grandes pressões ocasionadas pelas mudanças no uso da terra, sendo objeto de discussão em vários fóruns nacionais e internacionais. Acrescente-se a isto o fato de que, na Amazônia, o manejo inadequado dos recursos naturais em agroecossistemas vem acarretando problemas ambientais que se caracterizam pela modificação da paisagem e, conseqüentemente, das funções ecológicas dos ecossistemas. Por isto há a necessidade de métodos de avaliação ambiental que permitam a gestão sustentável dos empreendimentos agrícolas e apontem caminhos para a recuperação de ambientes degradados.
Além disto, nas últimas décadas vários modelos de ocupação e de desenvolvimento foram testados na região e, ao longo do tempo, impuseram impactos negativos no âmbito socioeconômico e ecológico. Em parte porque as políticas públicas ainda carecem de instrumentos capazes de realizar avaliações objetivas dos impactos ambientais ocasionados pelos diferentes modelos de uso da terra. Muitas vezes, estes modelos são propostos a partir de visões estratégicas para a ocupação da Amazônia, baseados em premissas formuladas exogenamente e, na maioria das vezes, conflitantes entre si como, por exemplo, os modelos de desenvolvimento defendidos por ambientalistas ou pela cadeia de produção agroexportadora.
É curioso observar, neste sentido, que o impacto ambiental negativo previsto em determinados modelos estratégicos para o desenvolvimento da Amazônia, como a ampliação da infra-estrutura energética regional, por exemplo, é justamente o impacto ambiental positivo identificado em outra visão estratégica para a Amazônia. Pode-se dizer, assim, que a Amazônia está sujeita primariamente a conflitos de conceitos sobre seu desenvolvimento e, certamente, aquele grupo mais organizado e eficiente faz valer sua visão, mesmo que este modelo não seja efetivamente o mais apropriado para o desenvolvimento sustentado da região.
Partindo da premissa comum de que a Amazônia necessita ter um desenvolvimento sustentado, não é possível imaginar que no futuro as populações locais façam restrições aos benefícios da sociedade moderna, como alimentos saudáveis, saúde, educação e saneamento, comunicação entre outros. Mas para atingir isto, a região não pode depender da boa vontade de outras regiões e países que exploram os recursos da Amazônia, adquirindo somente produtos ou serviços de baixo valor agregado.
Neste contexto, a partir da necessidade de conciliar desenvolvimento econômico e conservação ambiental, está a questão do uso da terra na Amazônia. Nos últimos anos, a
Embrapa Acre tem assumido uma nova relação em seu papel indutor do desenvolvimento da região, onde a formação de recursos humanos tem sido apoiada de forma exemplar.
Pode-se citar a parceria com a
Universidade Federal do Acre (UFAC), para implantar e manter um curso de mestrado em Produção Vegetal na Amazônia, na qual o
CNPq financia um projeto em que, além da formação de dois mestres em agronomia, espera-se consolidar a base referencial para o desenvolvimento de um software para o diagnóstico do uso da terra na Amazônia.
O objetivo deste projeto é obter um sistema de avaliação ambiental capaz de identificar os impactos ambientais causados pelas atividades econômicas sobre os meios, físico, biótico e socioeconômico, de modo a orientar a tomada de decisão sobre sua sustentabilidade, e ainda assessorar produtores e tomadores de decisão quanto às melhores práticas, atividades e formas de manejo a serem implementadas em um estabelecimento ou região, de acordo com as potencialidades e limitações do ambiente e capacidade da comunidade local.
O produto principal será o próprio software, que poderá ser utilizado para diferentes fins, seja em programas de crédito agrícola, gestão de recursos ambientais ou análise de empreendimentos em diferentes escalas de uso da terra. Mais relevante, entretanto, é a possibilidade de se formular efetivamente soluções para o desenvolvimento local a partir de pesquisas iniciadas e conduzidas na própria região.
A formação de recursos humanos locais de alto nível importará na capacidade de pensar a partir das perspectivas locais. Assim, no futuro, provavelmente a Amazônia terá a soberania intelectual necessária para formular e gerir seu próprio desenvolvimento.
AUTORIA
Paulo Guilherme Salvador Wadt
Pesquisador da
Embrapa Acre
Links referenciados
Paulo Guilherme Salvador Wadtpaulo@cpafac.embrapa.br
Universidade Federal do Acrewww.ufac.br
Embrapa Acrewww.cpafac.embrapa.br
CNPqwww.cnpq.br
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