A cevada é uma das primeiras plantas domesticadas pelo homem e tem servido como fonte regular de alimentação, participando dos mais diversos elos da indústria alimentícia e, principalmente, da indústria cervejeira.
O Brasil produz cevada em escala comercial desde 1930. Desde então, a cultura tem ficado restrita às áreas mais temperadas, como os planaltos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Contudo, a
Embrapa Cerrados, Unidade da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em conjunto com a
Embrapa Trigo, tem desenvolvido pesquisas com a cevada cervejeira no sistema irrigado, demonstrando a viabilidade econômica, técnica e ecológica da cultura para este sistema.
Chama a atenção para as vantagens econômicas da cevada cervejeira irrigada, como a economia de energia elétrica; menor custo de produção e maior produção de palhada que outras gramíneas inseridas neste sistema. O menor uso de defensivos e a eficiência no uso de água também garantem vantagem ambiental à cevada.
Porém, a cevada, a exemplo da maioria das culturas irrigadas do Cerrado, também é exigente em relação à fertilidade do solo. Para se obter sucesso com o seu cultivo, ela deve ser plantada em solos corrigidos (calcário, macro e micronutrientes), que apresentem uma saturação por base de 50% e sem a presença de alumínio trocável. A presença deste elemento afeta tanto o crescimento como o rendimento desta cultura.
Para se obter a qualidade de cevada necessária para a indústria, entre outras coisas, é necessário que a cevada seja cultivada durante o período das secas, com o uso de irrigação. O plantio realizado no mês de maio, para que a colheita possa ser feita antes do início das chuvas, uma vez que o ciclo total da cultura até a colheita é de aproximadamente 110 dias. Semeaduras antecipadas, por serem feitos em meses com maiores temperaturas médias do ar, favorecem o aparecimento de doenças, como a Brusone e a Mancha-em-Rede, além de não atender as necessidades fisiológicas da espécie.
Buscando tornar a prática do manejo de irrigação mais acessível e rotineira, a
Embrapa Cerrados, usando resultados de pesquisa de mais de 20 anos, desenvolveu o Programa de Monitoramento de Irrigação para o Cerrado - disponível no site:
www.cpac.embrapa.br. Trata-se de ferramenta que permite estimar, com a confiabilidade necessária, a lâmina líquida a ser aplicada e o intervalo entre irrigações a ser adotado ao longo do ciclo da cevada irrigada.
Para atender o produtor irrigante, a Embrapa disponibiliza de três variedades: a cultivar BRS 180 (cevada de 6 fileiras de grãos); a BRS 195 (cevada de duas fileiras de grãos), lançada em 2006, para as condições irrigadas e a mais nova variedade lançada em 2007: a BRS Deméter. Essa é a segunda variedade dística recomendada para o sistema de irrigação para o Cerrado e apresenta, além da ótima estabilidade agronômica, qualidade industrial, malteira e cervejeira comprovadas.
Essa cultivar registrou rendimentos de até de 9.924 kg/ha, em condições experimentais, e com características de micromalteio adequadas ao uso pela indústria cervejeira brasileira. Ela é recomendada, no Brasil Central, para o Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, em altitudes acima de 900 m.
Neste sentido, a cevada mostra-se, através do trabalho de pesquisa da Embrapa, uma cultura perfeitamente inserida no sistema de produção agrícola do Cerrado, sob irrigação, tendo o produtor alternativas econômicas para o seu cultivo.
AUTORIA
Renato Fernando Amabile
Pesquisador da
Embrapa Cerrados
Planaltina – DF
Links referenciados
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimentowww.agricultura.gov.br
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuáriawww.embrapa.br
Renato Fernando Amabileamabile@cpac.embrapa.br
www.cpac.embrapa.brwww.cpac.embrapa.br
Embrapa Cerradoswww.cpac.embrapa.br
Embrapa Trigowww.cnpt.embrapa.br
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