Tem-se divulgado, nos jornais e noticiários de rádio e televisão de todo o país, viagens do Presidente Lula à algumas nações africanas, na busca de ampliar a influência internacional do Brasil, bem como, aumentar as transações comerciais com estes países. Divulgou-se também a concessão do Prêmio Nobel da Paz 2007 ao ex-vice-presidente norte-americano Al Gore e ao IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) pela sua luta em prol do meio ambiente.
Tudo isto parece estar muito distante de nós gaúchos, mais especificamente, de nós passo-fundenses. Mas não está tanto assim. Senão vejamos.
Desde 2003, a
Embrapa está compartilhando conhecimentos e tecnologias, que têm viabilizado a adoção da Agricultura Conservacionista no Brasil, com instituições de pesquisa e de extensão rural de Moçambique, mediante implementação de um projeto de capacitação técnica, financiado pela
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), voltado a pesquisadores, extensionistas e agricultores moçambicanos.
Neste projeto foi realizada, em Moçambique, diagnose de sistemas agrícolas produtivos, levantamento de tecnologias disponíveis para Agricultura Conservacionista e análise das condições edáficas, climáticas e socioeconômicas das províncias Moçambiquenhas abrangidas pelo projeto, bem como a implantação de Unidades de Treinamento e de Demonstração (UTDs).
Ainda em 2003, técnicos moçambicanos foram treinados no Brasil, por técnicos da
Embrapa Trigo, da
Embrapa Solos, da
Embrapa Clima Temperado, da
Emater-RS, da
Epagri-SC, da
Universidade de Passo Fundo (UPF) e da
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), para promoverem a Agricultura Conservacionista naquele país. Posteriormente, cada técnico-treinando recebeu, em Moçambique, equipamentos agrícolas e insumos, adquiridos no mercado brasileiro e custeados pela
FAO, visando operacionalizar UTDs utilizadas para a realização de dias de campo, análises de dados técnicos e econômicos e "workshops". Participaram, ativamente, do projeto os pesquisadores da
Embrapa Trigo José Eloir Denardin, Rainoldo Alberto Kochhann, Antonio Faganello e Arcenio Sattler.
Em seqüência ao intercâmbio, esteve no Brasil, de 23 a 31 de outubro de 2007, uma missão de oficiais seniores de Moçambique, composta pelo Eng.Agr., Dr. Yogendra Kumar Singh – pesquisador da
FAO, em Moçambique, e líder de projeto voltado à implementação da Agricultura Conservacionista em Moçambique; pela Médica Veterinária, Dra. Leonor Neves, Secretária da Agricultura da Província de Tete, Moçambique; e pela Eng. Agrª. Dra. Joana Madime, Secretária da Agricultura da Província de Gaza, Moçambique. Os componentes da Missão mantiveram contato, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com pesquisadores da
Embrapa Trigo, com assistentes técnicos da Emater/RS e da Epagri/SC, com a
Fitarelli Máquinas Agrícolas, em Aratiba (RS), com pesquisadores da
Embrapa Semi-Árido, em Petrolina (PE), e com inúmeros produtores rurais que adotam Agricultura Conservacionista.
O Prêmio Nobel da Paz 2007 é outra história. Em 2003, pelos trabalhos que vinham sendo desenvolvidos pelos pesquisadores José Mauricio Fernandes e Gilberto Cunha, a
Embrapa Trigo foi convidada para integrar a iniciativa global denominada
AIACC (Assessments of Impacts and Adaptations to Climate Change), envolvendo o estudo das mudanças climáticas no sudeste da América do Sul, juntamente com o
INTA (Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária) da Argentina e o
INIA (Instituto Nacional de Investigacion Agropecuaria) do Uruguai. Entre os resultados destaca-se o diagnóstico sobre as mudanças climáticas e os impactos delas na agricultura da região Sudeste da América do Sul. Este diagnóstico contribuiu para enriquecer cientificamente o relatório do
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), coordenado pela
ONU e que reúne cerca de três mil especialistas do mundo inteiro. O Dr. Gilberto Cunha, além de participar dos trabalhos técnicos-científicos do projeto, atuou como participante do grupo de 30 cientistas brasileiros envolvidos na elaboração e revisão do relatório do
IPCC.
E aí está a feliz realidade: o Presidente Lula chegou a África e a
Embrapa já estava lá, criando condições de intercâmbio no agronegócio, o
IPCC ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2007, e a
Embrapa também estava lá fazendo parte do projeto, talvez uma pequena parte, mas estava lá. Portanto, a
Embrapa que teve enorme participação na revolução da agricultura brasileira, colabora também com as políticas internacionais do Brasil e participa da linha de frente de conhecimentos e de estudos estratégicos para a humanidade.
Ah!, quase ia esquecendo, nestas ações da
Embrapa, lá estava a
Embrapa Trigo, a
Embrapa de Passo Fundo, participando e dando a sua colaboração.
AUTORIA
João Carlos Ignaczak
Pesquisador e ex-chefe adjunto de administração da
Embrapa Trigo, de Passo Fundo (RS)
Links referenciados
Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentaçãowww.fao.org.br
Assessments of Impacts and Adaptations to Climate Changewww.aiaccproject.org
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticaswww.ipcc.ch
Instituto Nacional de Investigación Agropecuariawww.inia.org.uy
Instituto Nacional de Tecnología Agropecuariawww.inta.gov.ar
Universidade Federal de Santa Mariawww.ufsm.br
Fitarelli Máquinas Agrícolaswww.fitarelli.com.br
Universidade de Passo Fundowww.upf.tche.br
Embrapa Clima Temperadowww.cpact.embrapa.br
Embrapa Semi-Áridowww.cpatsa.embrapa.br
Embrapa Soloswww.cnps.embrapa.br
Embrapa Trigowww.cnpt.embrapa.br
Emater-RSwww.emater.tche.br
Epagri-SCwww.epagri.rct-sc.br
Embrapawww.embrapa.br
AIACCwww.aiaccproject.org
INIAwww.inia.org.uy
INTAwww.inta.gov.ar
IPCCwww.ipcc.ch
FAOwww.fao.org.br
ONUwww.onu-brasil.org.br
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