Em projetos de assentamentos agrícolas e até mesmo nos projetos agroextrativistas do Acre e de Rondônia, a grande ansiedade de pequenos e médios produtores, principalmente daqueles que dependem da mão-de-obra familiar, tem sido quanto à possibilidade de mecanização de suas áreas de produção agrícola. A mecanização insere-se nas questões relacionadas ao uso da terra na Amazônia em face de seus impactos (positivos e negativos) na conservação da biodiversidade, produção de alimentos e de energia renovável.
Se por um lado o potencial do Bioma Amazônia como fonte de biodiversidade para as indústrias de alta biotecnologia é notório, também é verdade que este sistema de exploração não vem sendo capaz de transferir riquezas para as populações locais, já que a agregação de valor aos produtos da biodiversidade ocorre nos centros industrializados e de maior desenvolvimento científico, seja no Brasil ou no exterior.
Do mesmo modo, o potencial agrícola da Amazônia não pode ser desprezado. Segundo dados do IBGE, divulgados em junho deste ano, a Amazônia Legal (que inclui áreas de cerrado e de transição entre a floresta e o semi-árido nordestino) responde por 40% da carne e da soja produzidos no Brasil, concentrando-se no Bioma Amazônico 73% das 74 milhões de cabeças de gado da região. Estes números apontam claramente que parte significativa do agronegócio brasileiro encontra-se efetivamente às portas da Amazônia Brasileira e isto tem sido associado às pressões para converter áreas de floresta em áreas agrícolas.
No meio deste embate está o pequeno e médio produtor agrícola, a quem tem sido "permitida" apenas a agricultura de subsistência, que não é sustentável para a manutenção da qualidade de vida de seus praticantes, já que não proporciona poupança familiar e degrada a saúde de toda família, exigindo grandes esforços, oferecendo pouco retorno e, ao final, o produto agrícola resultante mal supre o sustento da própria família.
Disto resulta o interesse dos produtores pela implantação, de fato, de programas de mecanização no Estado do Acre para transformar parte de seus pastos ou áreas abandonadas em cultivos que possam proporcionar maior renda familiar e melhoria da qualidade de vida, inclusive, liberando seus filhos para a educação formal.
Para definir se uma área é ou não adequada à mecanização, faz-se necessário avaliar a aptidão das terras para culturas anuais e perenes, pastagens ou se a área deve ser recomendada para conservação ambiental.
Visando responder a questões deste tipo, a
Embrapa Acre, em parceria com o programa de pós-graduação em Produção Vegetal da
Universidade Federal do Acre (UFAC) e em Ciência do Solo da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveu o
Sistema de Avaliação das Terras para a Readequação Ambiental (Satra), ferramenta informatizada capaz de realizar o diagnóstico ambiental e o zoneamento agrícola na escala apropriada a uma propriedade rural. A tecnologia pode facilitar o trabalho de profissionais da área agrícola no processo de interpretação da análise de solos e na definição de diretrizes para a recuperação ambiental de áreas alteradas.
Em linhas gerais, o Satra permite avaliar a aptidão natural da terra com base em amostras de solos retiradas em três profundidades e em informações sobre características da paisagem. Esses dados vão embasar as análises para a interpretação da fertilidade do solo, da deficiência ou excesso de água, presença de impedimentos à mecanização e susceptibilidade à erosão. Com base nestas informações e na determinação do nível tecnológico, o sistema ainda determina a aptidão agrícola das terras.
Por ser um sistema de uso gratuito, podendo ser usado a partir de qualquer computador conectado à internet (acessando-se a página
www.satra.eti.br), o Satra é uma ferramenta de informação democrática voltada ao homem do campo, que pode ser usada tanto por técnicos da pesquisa e da extensão rural, como por produtores rurais.
Com este sistema, espera-se evitar prejuízos para quem vive da atividade agrícola na Amazônia, ocasionados seja pela mecanização de áreas inadequadas ou pela ausência de informações sobre o potencial agrícola das terras, e subsidiar ações políticas de apoio ao pequeno e médio produtor, que necessita da mecanização para melhorar o uso da terra em suas lavouras.
AUTORIA
Paulo Guilherme Salvador Wadt
Engenheiro agrônomo, D.Sc.
Pesquisador da
Embrapa Acre
Links referenciados
Sistema de Avaliação das Terras para a Readequação Ambientalwww.satra.eti.br
Universidade Federal do Rio de Janeirowww.ufrj.br
Paulo Guilherme Salvador Wadtpaulo@cpafac.embrapa.br
Universidade Federal do Acrewww.ufac.br
www.satra.eti.brwww.satra.eti.br
Embrapa Acrewww.cpafac.embrapa.br
Jornal Agrosoft
Clique aqui para receber GRÁTIS