Em Rondônia, a ocupação desordenada aliada às práticas inadequadas de manejo dos solos e associada a uma política equivocada de utilização da terra estimulou o desmatamento. Essa situação gerou ao estado de Rondônia uma posição de destaque no cenário nacional com alta taxa de desmatamento e alto percentual desmatado entre os estados da região Amazônica. Esse processo gerou enormes áreas degradadas, tornando as pequenas propriedades onde se pratica a agricultura familiar inviáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental.
Os pequenos agricultores familiares representam uma importante parcela do meio rural no estado de Rondônia. Entretanto, estes agricultores têm encontrado inúmeras dificuldades para se manterem em suas terras, produzindo os cultivos alimentares que abastecem a maioria da população. Essas dificuldades passam por problemas na infra-estrutura, como estradas deficientes e inexistência de centrais de abastecimento, bem como pela perda da capacidade produtiva dos solos ocasionada pela não observância de estratégias adequadas de manejo dos recursos naturais e, pelos altos custos dos insumos e equipamentos recomendados para a prática do cultivo agrícola visando o agronegócio.
Observa-se que atividades como a exploração madeireira sem manejo florestal, a pecuária extensiva, a agricultura mecanizada em grande escala e a própria sucessão familiar têm configurado um quadro não só de concentração fundiária, mas também de escassez e elevação do preço da terra, que impõem riscos à produção familiar, havendo a necessidade de se pensar em mudanças qualitativas, baseadas em formas mais adequadas de uso e manejo de recursos naturais, obedecendo a uma alternativa de aproveitamento social e econômico da terra com baixos riscos de degradação ambiental. Uma vez que a principal conseqüência da aplicação do modelo produtivista nas pequenas propriedades rurais tem sido o empobrecimento das famílias, que acabam cedendo suas terras aos grandes fazendeiros da região ou, ainda pior, sendo executados pelas instituições financeiras por inadimplência.
Embora haja uma forte pressão econômica contrária, muitos agricultores familiares convencionais estão preferindo fazer a transição para as práticas que são mais consistentes ambientalmente e têm o potencial de contribuir com a sustentabilidade da agricultura em longo prazo. A opção pela agricultura sustentável configura-se como uma alternativa viável para o pequeno agricultor, em virtude dos produtos obtidos possuírem atributos de qualidade que são valorizados pelos consumidores, como ausência de resíduos químicos e de externalidades negativas ao meio ambiente decorrentes do processo produtivo. Outro aspecto positivo a ser destacado é que este sistema de cultivo se adapta bem às características da agricultura familiar, uma vez que valoriza os saberes locais herdados por gerações, fruto da vivência e experimentação das próprias famílias de agricultores.
Ao contrário da ciência convencional, que utiliza uma forma de conhecimento atomista, mecânica, universal e monista, a Agroecologia, respeitando a diversidade ecológica e sociocultural e, portanto, outra forma de conhecimento, propugna pela necessidade de gerar conhecimento holístico, sistêmico, contextualizador, subjetiva e pluralista, nascida a partir das culturas locais e sua integração com os saberes de origem acadêmica. Porém, constata-se a escassez de metodologias inovadoras que valorizem tanto as qualidades do método científico, como os saberes agroecológicos dos atores locais. Entre essas poucas metodologias, destacam-se os processos participativos, pelos quais a partir do diálogo de saberes ocorre a definição e execução coletiva das ações de pesquisa, validação e intercâmbio do conhecimento.
A
Embrapa Rondônia executa, desde agosto deste ano, 2008, o projeto "Alternativas Agroecológicas para a Agricultura Familiar Sustentável em Rondônia" a ser realizado nos municípios de Mirante da Serra, localizadas no Projeto de Assentamento Padre Ezequiel, e no Vale do Paraíso Vale do Paraíso.
Para realizar este trabalho a
Embrapa Rondônia conta com a parceria da
Comissão Pastoral da Terra (CPT – Rondônia), Diocese de Ji-Paraná, Incra, Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário (DFDA),
Emater Rondônia, Articulação Rondoniense de Agroecologia, com as Escolas Família Agrícola de Ji-Paraná, do Vale do Paraíso e do Assentamento Padre Ezequiel, além da
Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia. Todas as instituições, em maior ou menor grau, apresentam alguma experiência no desenvolvimento de projetos de agricultura agroecológica.
O projeto tem por objetivo contribuir para o desenvolvimento da agricultura familiar sustentável, utilizando metodologias de pesquisa participativa na prospecção, validação e transferência de tecnologias de base ecológica, visando sistematizar as técnicas alternativas de produção animal e vegetal com enfoque agroecológico utilizadas pelos agricultores familiares no estado de Rondônia. Durante a execução do projeto no período de três anos, serão validadas de forma participativa tecnologias alternativas de produção agropecuária. Além disso, será realizado estudo de mercado para os produtos sustentáveis da agricultura familiar no estado de Rondônia. Para isso, serão realizadas capacitações sobre conceitos, conteúdos metodológicos e tecnologias intrínsecas a proposta da agroecologia.
AUTORIA
José Orestes Merola
Engenheiro Agrônomo
Pesquisador da
Embrapa Rondônia
Links referenciados
Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondôniawww.fetagro.org.br
Comissão Pastoral da Terrawww.cptnac.com.br
Embrapa Rondôniawww.cpafro.embrapa.br
Emater Rondôniawww.emater-ro.com.br
Jornal Agrosoft
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