A cultura do milho é plantada em quase todo o Estado do Piauí, entretanto, com produtividades baixas, em torno de 800 kg.ha¯¹. Uma das formas de se elevar essa produtividade é a adoção de tecnologias como a irrigação. No Piauí, resultados experimentais indicam que o milho irrigado, associado a outras técnicas de manejo de solo e planta, pode alcançar produtividade de grãos entre 6 a 10 t.ha¯¹. Entretanto, para se estabelecer um manejo adequado da irrigação, é necessário o uso de coeficientes de cultura (Kc), que permite o cálculo da lâmina de irrigação necessária em cada fase de desenvolvimento da cultura.
Nesse contexto, a
Embrapa Meio-Norte vem desenvolvendo pesquisas há três anos, visando à identificação do consumo de água pelas plantas, nos Tabuleiros Litorâneos do Piauí. Em 2007 foi determinado o Kc da cultura do milho. A pesquisa foi desenvolvida na área experimental da
Embrapa Meio-Norte, no município de Parnaíba, PI (03°05’S, 41°47’W e 46 m). O solo do local foi classificado como Latossolo Amarelo distrófico, com as seguintes características principais: solo profundo, acentuadamente drenado, de textura variando de média a argilosa no horizonte B, baixa fertilidade natural e pequena capacidade de armazenamento de água.


O sucesso do milho irrigado: Figura 1: resultados dos valores de Kc do milho
Créditos: EmbrapaO plantio foi realizado em 13/09/07, utilizando-se sementes do híbrido P3051, em um espaçamento de 0,80 x 0,25 m. Foram aplicados, na fundação, 80 kg ha¯¹ de P2O5 (superfosfato simples), 40 kg ha¯¹ de N (uréia), 30 kg ha¯¹ de K2O (cloreto de potássio) e 3 kg ha¯¹ de Zn (sulfato de zinco). Foram realizadas adubações de cobertura com nitrogênio e potássio por ocasião do surgimento da quarta e sexta folha, aplicando-se, respectivamente 40 kg ha¯¹ de N e 30 kg ha¯¹ de K2O (1ª cobertura) e 40 kg ha¯¹ de N (2ª cobertura). As irrigações, sempre no período noturno, foram realizadas por um sistema de aspersão em malha, com linhas laterais e aspersores (560 L.h¯¹) espaçados de 12 x 12 m, totalizando uma lâmina de 610 mm durante o ciclo.
O coeficiente de cultura, índice necessário para o cálculo da quantidade de água a ser aplicado em uma plantação, é calculado por meio da relação entre a evapotranspiração da cultura (ETc) e a evapotranspiração de referência (ETo) (Kc=ETc×ETo¯¹). Essas evapotranspirações, em outras palavras, indicam o consumo de água pela planta.
A ETc foi determinada utilizando-se quatro lisímetros de pesagem, equipamentos modernos que permitem medir o consumo de água pelas plantas. Esses lisímetros foram instalados em uma área de 1,2 ha e foram conectados a um sistema de aquisição e armazenamento de dados que, por sua vez, foi conectado a um computador, de tal forma a permitir que o pesquisador tivesse acesso aos dados horários, da sua própria sala. Para o cálculo da ETo, é preciso conhecer um pouco do clima, principalmente valores de temperatura do ar, umidade relativa, velocidade do vento, insolação, dentre outros elementos. Essas informações foram obtidas em uma estação meteorológica automática e com elas, aplicou-se um método científico, denominado Penman-Monteith, que é consagrado pela literatura internacional. De posse da ETc e da ETo, calculou-se o Kc para cada dia do ciclo.
Os resultados evidenciaram que os valores de Kc do milho (Figura 1) variaram de 0,5, na fase inicial e atingiram o pico de 1,4 na fase reprodutiva (entre 50 e 70 dias), reduzindo para 0,6 na fase de maturação dos grãos. Com esses valores o irrigante pode calcular a lâmina de irrigação em sua lavoura, sem falta ou desperdício de água.
AUTORIA
Edson Alves Bastos
Pesquisador da
Embrapa Meio-Norte
Links referenciados
Edson Alves Bastosedson@cpamn.embrapa.br
Embrapa Meio-Nortewww.cpamn.embrapa.br
Jornal Agrosoft
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