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A domesticação e o melhoramento do cupuaçu

artigos :: Por Editor em 18/12/2008 :: imprimir   pdf   enviar   celular


A domesticação e o melhoramento do cupuaçu: Fruto do cupuaçu
Créditos: Diva Gonçalves
O cupuaçu é uma espécie nativa da Amazônia e suas populações naturais apresentam ampla variabilidade genética, qualidade que lhes confere segurança para garantir sua sobrevivência frente às mudanças nas condições ambientais de clima, solo, pragas e doenças, por exemplo. Obviamente, esse estágio de especialização é resultado dos processos de evolução no sentido de atingir picos de melhor adaptação às novas condições ambientais.



O homem começa a se interessar por uma espécie em particular, como o cupuaçu, passando a coletar seus frutos e plantar suas sementes em um ambiente estercado e livre de invasoras. À época da colheita, passa a exercer uma pressão de seleção sobre a planta, visando aumentar a freqüência de algumas características importantes de adaptação ao ambiente artificial. Nesse momento é estabelecida uma relação de dependência entre ambos, de forma que a partir de determinado estágio de especialização a planta não mais sobrevive sem essa interferência, ao passo que o homem depende da planta para sua própria sobrevivência. Nesta etapa, as plantas passam por uma acentuada mudança na sua composição genotípica, sendo deixadas para reprodução somente aquelas com maior grau de adaptação ao ambiente artificial.

Atualmente, o cupuaçu encontra-se em processo de domesticação e aparece em agroecossistemas onde o homem cuidadosamente prepara o ambiente de cultivo para maximizar sua produção. Em etapa avançada do processo de domesticação, o homem promoverá o melhoramento genético da cultura visando obter plantas mais adequadas ao propósito da agricultura de rendimento.

No Estado do Acre existem numerosos pomares de cupuaçuzeiro em sistema agroflorestal (SAF) ou de monocultivos formados a partir de sementes, sem uma seleção artificial prévia ou uma seleção intencional tênue e assistemática. Normalmente, observa-se uma desuniformidade significativa quanto às diversas características de interesse e baixa produtividade desses plantios comerciais. Caracteres relacionados à estabilização da produtividade, como resistência genética a pragas e doenças, também não têm sido considerados na escolha dos genitores (pais) para obtenção das sementes utilizadas pelos produtores. Essa situação tem se agravado com o surgimento da broca-da-raiz e broca-do-fruto, que a exemplo da vassoura-de-bruxa ainda têm no manejo e adoção de boas práticas agrícolas seu principal método de controle.

A obtenção de cultivares melhoradas para recomendações nas condições de clima e solo do Estado do Acre constitui uma estratégia no mínimo complementar às técnicas agronômicas no estabelecimento e consolidação do agronegócio do cupuaçu. É factível a importância que tem o delineamento de processos seletivos para contemplar a procura crescente por genótipos melhorados por parte dos produtores.

A plasticidade genotípica é condição imprescindível para viabilizar a seleção de materiais que apresentem características agrotecnológicas de interesse e, conseqüentemente, obter sucesso em programas de melhoramento genético. A despeito de sua ampla variabilidade genética, apenas quatro clones elites foram desenvolvidos pela Embrapa Amazônia Oriental, número insuficiente para contemplar toda a Região Norte e parte da Região Nordeste. Existe, portando, a necessidade de se desenvolver cultivares que apresentem características interessantes para os produtores, consumidores e indústria. Os produtos do melhoramento genético geram tecnologia nacional, sendo o seu repasse, geralmente, sem custo adicional para o agricultor.

Em última instância, o que mais interessa ao produtor é o desempenho produtivo, sendo esta característica determinada por componentes primários e secundários como resistência a praças e doenças, elevada capacidade de frutificação e arquitetura favorável, assim como adaptabilidade e estabilidade genotípica do material melhorado.

O melhoramento genético de plantas objetiva contemplar simultaneamente três setores do agronegócio: produtor, consumidor e indústria. O melhorista deve ter necessariamente uma visão de longo prazo e prevê possíveis problemas que possam representar entraves para a cadeia produtiva. É factível a importância do desenvolvimento e recomendação de cultivares de cupuaçu produtivas e resistentes a doenças e pragas como as brocas do fruto e da raiz, para implantação de plantios comerciais, no sentido de minimizar riscos e prejuízos para os produtores. Adicionalmente, essa estratégia da resistência genética a pragas e doenças permite que o produtor certifique sua produção, visando à exportação do produto.

O esquema geral para o melhoramento de espécies perenes como o cupuaçu permite que a multiplicação do material melhorado ocorra via sexual (sementes) ou assexual (clones). A possibilidade de clonagem de indivíduos superiores em qualquer etapa do programa de melhoramento aumenta a eficiência do processo uma vez que se explora toda a variância genética. Uma alternativa para viabilizar a propagação assexuada é a macroenxertia, prática que permite eventualmente que uma ou algumas plantas excepcionais possam ter seu genoma reproduzido com grande precisão ainda no estágio de domesticação da espécie.

AUTORIA

Maria Clideana Cabral Maia
Engenheira agrônoma (D.Sc)
Pesquisadora da Embrapa Acre

Links referenciados

Embrapa Amazônia Oriental
www.cpatu.embrapa.br

Maria Clideana Cabral Maia
clideana@cpafac.embrapa.br

Embrapa Acre
www.cpafac.embrapa.br

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