A reunião dos ministros de Economia dos países que integram o chamado Bric - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China - que será realizada no Brasil, em outubro, reforça as decisões que forem tomadas pelo grupo no cenário internacional.
A avaliação foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no Fórum Especial do
Bric, no último dia 3, promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na sede do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
"Eu acho que os
Brics estão se autodescobrindo, vendo que eles são um grupo que pode atuar junto. Isso apenas fortalece a posição do Brasil e dos outros no cenário internacional", observou. A reunião dos ministros foi proposta em recente encontro de chanceleres na Rússia e coincide com outra reunião já prevista anteriormente, do grupo G-20, segundo o ministro.
Ele não quis comentar quais seriam as chances de o Brasil vir a liderar o
Bric. Segundo ele, o Brasil já se destaca no grupo sob vários aspectos. "Isso não é um concurso de beleza. Atuando juntos, todos estarão melhor", assegurou.
Celso Amorim disse que existe atualmente uma consciência sobre o que os países que compõem o
Bric podem fazer juntos e de forma coordenada.
Os quatro países representam quase metade da população mundial e suas economias equivalem hoje a 15% do total mundial. "Eles têm um peso muito grande. E, agindo juntos, podem fazer com que esse peso realmente se faça sentir nas organizações internacionais de qualquer espécie, inclusive nas Nações Unidas, ainda que possa haver divergências em relação a certos pontos da agenda internacional", ressaltou.
Segundo ele, a margem de cooperação é muito grande e pode ser traduzida em alianças múltiplas e variáveis, sem abandonar princípios básicos que norteiam a política externa brasileira. "É muito bom que o Brasil esteja olhando os
Brics, porque o mundo está olhando os
Brics".
RETOMADA AOS ACORDOS BILATERAIS
Celso Amorim também afirmou no Fórum Especial sobre os
Brics (grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia e China), que o Brasil não abandonou as negociações bilaterais. Segundo ele, o país apenas teve de interromper as negociações com a
União Européia porque o mandato do bloco europeu, em relação aos acordos com o Mercosul, exige que antes seja encerrada a Rodada Doha.
"O sistema multilateral [quando o Brasil negocia como parte do bloco] é muito importante para o Brasil, por motivos vários. O principal deles, que é o que mais atinge, por exemplo, a agricultura, onde somos competitivos, são os subsídios. E os subsídios jamais conseguiremos eliminar ou sequer disciplinar em acordos bilaterais", explicou.
O ministro garantiu que o Brasil nunca se recusou a assinar acordos bilaterais. Ele frisou também que o Brasil não vai se enfraquecer se negociar junto com os demais sócios do Mercosul. "Na medida em que fortalecermos o Mercosul, fortalecemos a nossa presença internacional. O Brasil é maior porque é capaz de aglutinar a América do Sul", disse.
FONTE
Agência Brasil
Alana Gandra
Repórter
Links referenciados
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Socialwww.bndes.gov.br
União Européiaeuropa.eu/index_pt.htm
Agência Brasilwww.agenciabrasil.gov.br
Bricpt.wikipedia.org/wiki/BRIC
Jornal Agrosoft
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