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Blairo Maggi: "O segredo é transformar o pecuarista também em agricultor"

noticias :: Por Editor em 04/09/2008 :: imprimir   pdf   enviar   celular

"Pelo levantamento que a Embrapa fez, se colocarmos todas as reservas e leis ambientais já criadas, o Brasil teria apenas 30% do seu território para utilizar, tanto com cidades como para a produção. Em Mato Grosso seriam disponíveis apenas 24% do seu território. Existe sim a possibilidade de aumentar a produção de alimentos sem a derrubada de novas florestas. A agricultura no Brasil pode produzir entre cinco a dez toneladas por hectare, dependendo da região do país, enquanto a pecuária produz uma média de 250 quilos de carne por hectare. O segredo é transformar o pecuarista também em agricultor".



A explicação acima é do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, e aconteceu durante o seminário 'O Brasil que queremos ser’, promovido em São Paulo em comemoração aos 40 anos da revista Veja. Maggi, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o consultor da Organização das Nações Unidas para Bioenergia Luiz Augusto Horta Nogueira, foram os palestrantes no dia 2 de setembro no painel Conservação x Desenvolvimento.

Os números do desmatamento da Amazônia mais uma vez foram abordados pela imprensa nacional. Após o término do debate, uma pergunta da platéia chamou a atenção sobre a dissonância entre os dados defendidos pelo Governo Federal e os apresentados por Mato Grosso. "Maggi tinha razão ao dizer que os dados estavam somando degradação e corte raso. Os números do desmatamento vem caindo, mas isto não é uma garantia", respondeu o ministro do Meio Ambiente.

O governador fez um resgate histórico da ocupação da região amazônica e do centro-oeste, lembrando que foram pessoas consideradas heróicas por terem aceitado este desafio, e agora são rotulados de bandidos. "Isso é inadmissível. É preciso leis, e embargos, e isto está sendo feito. O pacote de maldades para aquele que mora na floresta chega todos os dias, mas as bondades do governo acabam se perdendo em corredores burocráticos. Esta pessoa que mora na floresta precisa receber pelo serviço ambiental que presta".

O fogo foi colocado em um segundo patamar de discussão durante o seminário. O governador de Mato Grosso detalhou que é necessário saber diferenciar os termos usualmente colocados à sociedade. "Uma coisa são as queimadas e outra são os incêndios. As queimadas é resultado de um processo de desmatamento. Os incêndios que acontecem na região centro-oeste são em sua maioria naturais. Existem estudos científicos que mostram que é necessário o fogo na região para que seja mantida a vida, como a fertilização de sementes de diversas plantas".

"A vegetação do cerrado é diferenciada da do resto do país. O nosso combate é intenso contra os incêndios criminosos. Ficamos quatro, cinco meses sem a presença de chuvas no Estado. Mesmo onde se faz um controle absoluto da fiscalização, podem acontecer incêndios espontâneos". Maggi ainda reforçou que todos os anos é noticiado que parques ambientais dentro do cerrado estão sendo destruído pelo fogo. "Se ele foi destruído em um ano, não há como ele ser novamente destruído no ano seguinte".

ENERGIA

Outro ponto apresentado durante o seminário foi à produção brasileira de biocombustíveis. "É da natureza que se obtém energia, independente da fonte. É o processo de se obter esta energia que gera os impactos ambientais. É um orgulho nacional o processo cientifico que o Brasil possui na produção do biocombustível. O importante agora é saber em que locais se pode ampliar essa produção", comentou o representante da ONU.

Luiz Augusto Horta elogiou que o nível do uso de agrotóxico nestas culturas produtoras de combustível foi aperfeiçoado e hoje é pequeno, principalmente no processo da cana. "O álcool da cana é hoje o melhor bioenergético do mundo". Ele destacou que o biodiesel ainda necessita de muito avanço cientifico, uma vez que a área utilizada para a produção é praticamente a mesma utilizada pela cana para a produção de álcool, mas com uma quantidade final de produção muito menor.

O seminário foi transmitido ao vivo pelo site do evento Veja 40 Anos onde podem ser obtidas mais informações sobre o evento. Foram debatidos temas nas áreas fundamentais para o desenvolvimento brasileiro, como Educação, Economia, Imprensa, Democracia, Raça e Pobreza, e ainda Megacidades.

COMISSÃO DA AGRICULTURA DOS EUA

Segundo município mato-grossense visitado, no último dia 2, pela comitiva de norte-americanos, Sapezal (480km a Noroeste de Cuiabá) impressionou aos visitantes graças a potencialidade agrícola e respeito ao meio ambiente que tem. "Mato Grosso concilia crescimento econômico com preservação ambiental", ressaltou o secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf, que acompanhou o grupo.

Os visitantes, representantes da Comissão de Agricultura dos Estados Unidos da América (EUA), foram recepcionados pelo prefeito da cidade, César Maggi e outras autoridades municipais. Como na primeira cidade, Barra do Bugres (168 km ao Norte de Cuiabá), eles realizaram visitas in loco por empresas de produção agrícola, de etanol e biodiesel.

Em Sapezal, uma visita rápida pela cidade apresentou o modelo de gestão do município, dos investimentos em infra-estrutura à cadeia produtiva que mostra sustentabilidade, o principal critério priorizado pelos investidores estrangeiros, conforme argumentou o chefe do Comitê de Agricultura de Minnesota, Collin Peterson, ao dizer que "o mundo precisa da soja e do milho, mas também de preservar o meio ambiente".

Dentro da programação, o grupo visitou a Fazenda Tucunaré, cuja maioria dos projetos de produção agroindustrial prioriza o respeito ao meio ambiente, segurança e valorização do trabalhador; com investimento em tecnologia e treinamentos. Passaram ainda pela Prainha Municipal, espaço de lazer construído em 94 hectares de área preservada às margens do Rio Sapezal, para exemplo de conscientização ambiental.

Na avaliação de Peterson, a produção agrícola de Mato Grosso é única, não existindo outra igual no mundo todo. Ele ainda observou nessas visitas que o Estado não perde nem nos investimentos em tecnologia, com maquinários "avançados, iguais a várias partes do mundo que desenvolvem agricultura", concluiu.

A comitiva esteve no Estado em uma missão de análise, conhecimento, para "vê a realidade in loco e depois prospectar as possibilidades de negócios que possam surgir da visita", acrescentou Nadaf. Ao final do dia, o grupo participou de uma reunião com o governador Blairo Maggi e na manhã do dia 3 seguiram para a Argentina.

Integraram a comitiva, ainda os congressistas Jerry Weller (Illinois), Marion Berry (Arkansas), Ben Chandler (Kentucky), a chefe-adjunta da Embaixada dos EUA, Lisa Kubiske, e outros.

FONTE

Secretaria de Comunicação de Mato Grosso
Daniel Dino e Sílvia Devaux - Jornalistas

Links referenciados

Secretaria de Comunicação de Mato Grosso
www.secom.mt.gov.br

Organização das Nações Unidas
www.onu-brasil.org.br

Governo Federal
www.brasil.gov.br

Sílvia Devaux
silvia-devaux@secom1.mt.gov.br

Veja 40 Anos
www.veja40anos

Daniel Dino
dino.dino@secom.mt.gov.br

Embrapa
www.embrapa.br

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