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Pesquisa constata que ecossistema da caatinga perdeu 60% de sua área

Publicado em 21/04/2008 na seção noticias :: Outros formatos: Texto e PDF

Por dois anos, 47 pesquisadores e técnicos de 10 instituições nordestinas analisaram 54 imagens de satélite. Depois, partiram para verificar no Semi-Árido quanto resta da caatinga. O resultado, apresentado agora, são 48 mapas de vegetação, um banco de dados e a triste constatação de que o ecossistema perdeu 59,44% de sua área.

Créditos: Arquivo
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A caatinga, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), espalhava-se por 827.242,46 quilômetros quadrados. A área mapeada pela equipe, que recebeu financiamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), foi de 762.753,67 quilômetros quadrados.

“Deixamos de fora os trechos que se sobrepunham aos mapas de outros ecossistemas que também estavam sendo estudados pelo MMA”, justifica o coordenador da equipe, Washington Franca-Rocha, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia.

O trabalho resultou em dois cálculos, um dos remanescentes mais conservados e outro da caatinga impactada, mas ainda integrante do ecossistema. 40,56% é o que restou da vegetação mais preservada.

Levando em conta a área antropizada, ou seja, que sofreu interferência humana, o percentual de remanescentes aumenta para 62,77%. “São manchas queimadas e que sofreram corte. Porém, se encontram em regeneração”, descreve o geólogo. Foram consideradas, ainda, nesse cálculo todas as áreas bem conservadas com mais de 40 hectares.

A caatinga abriga 932 tipos de plantas, das quais 380 são exclusivas do ecossistema, considerado o único restrito ao território nacional. “O Brasil divide a Mata atlântica, o Pantanal e a Amazônia com outros países da América Latina”, lembra Franca-Rocha.

De acordo com o pesquisador, esse é o segundo levantamento detalhado da vegetação característica do Semi-Árido dos últimos 30 anos. Em 1978, o Radambrasil, projeto de mapeamento sistemático que começou na Amazônia e se estendeu para o resto do País, estimou uma redução de 27,47%. Isto é, ainda havia, naquele período, 72,53% de caatinga. As perdas, em três décadas, somam 31,97%, num cálculo feito a grosso modo por Franca-Rocha.

O ecossistema, segundo ele, é o menos conhecido cientificamente e vem sendo tratado com baixa prioridade. “Embora seja um dos mais ameaçados, devido ao uso inadequado e insustentável dos seus solos e recursos naturais, tem apenas 1% de seus remanescentes protegidos em unidades de conservação.”

Franca-Rocha atribui a destruição da caatinga à expansão da fronteira agropecuária no Semi-Árido e ao uso da lenha como fonte de energia. “No mapa final do nosso estudo, o que mostra toda a extensão da caatinga, fica clara a devastação causada pelo pólo gesseiro, entre Pernambuco, Ceará e Piauí. A faixa de vegetação perde a continuidade nessa região.”

Além da UEFS, participaram do estudo a Associação Plantas do Nordeste (APNE), Embrapa Solos, Embrapa Semi-Árido, Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Centro de Recursos Ambientais da Bahia (CRA) e Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia (Semarh).

MATA ATLÂNTICA TEM ÁREA AMPLIADA EM 4 VEZES

Enquanto a caatinga perdeu, a mata atlântica ganhou. Estudo semelhante ao feito no Semi-Árido revelou que o tamanho da floresta tropical costeira do Brasil é quase quatro vezes maior do que se pensava. No lugar de 7% restam 26,97%.

O levantamento, assim como o da vegetação da caatinga, foi financiado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). Os autores reconhecem que os resultados diferem dos números existentes, a exemplo do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, publicado em 2002 pela Fundação SOS Mata Atlântica.

A comparação com outros mapeamentos, no entanto, deve ser feita com cautela, afirmam os responsáveis pelo trabalho atual, vinculados ao Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e ao Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia (Iesb). É que os mapas não estão na mesma escala. E o do MMA abrange todos os tipos de floresta atlântica, das fechadas às que estão se regenerando.

A mata atlântica tem 1.110.182 quilômetros quadrados. Dos 26,97%, 21,80% são compostos por tipos diferentes de mata atlântica. A floresta fechada é o principal componente, com 9,10%, seguida das florestas estacionais semideciduais (5,18%).

FONTE

Jornal do Commercio
Verônica Falcão - Jornalista

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